16 - mar
  

Fatores de risco para a mortalidade em idosos

Categoria(s): Demografia, DNT, Gerontologia, Programa de saúde pública




Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jovê Motti

A idade e o sexo são considerados os fatores imutáveis de risco para óbitos em idosos. Dentre aqueles fatores que podemos alterar estão a hospitalização, a dependência para realizar as atividades de vida diária, algumas doenças como a depressão e o câncer, o isolamento social e a falta de suporte familiar, o nível socioeconômico e a autoavaliação negativa da saúde.

Idade – é considerada o melhor indicador de risco pois a probabilidade de adquirir uma doença crônica ou ter um quadro de incapacidade aumenta com a idade. Diminuem progressivamente a capacidade e as reservas funcionais, aumentando a suscetibilidade aos problemas de saúde e possibilitando a morte.

Sexo – os homens são mais suscetíveis que as mulheres. As mulheres procuram mais a assistência médica do que os homens, houve uma diminuição de óbitos por causa materna devido a assistência e tratamento médico. A proteção do hormônio feminino durante a idade fértil é considerado protetor em relação a eventos cardíacos. Riscos diferentes em relação ao local do trabalho, trajeto,o tipo de trabalho , riscos ambientais e ocupacionais, mais freqüentes para homens que nas mulheres que trabalham em casa. Hábito como fumar e uso de bebida é bem mais comum em homens, aumentando o número de risco para diversas doenças. Porém com a mudança dos hábitos essa situação pode se inverter.

Doenças – as doenças cardiovasculares representam um maior risco de mortalidade em idosos. Relacionadas ao tabagismo, alcoolismo e falta de atividade física. Pacientes com diabetes e hipertensão também apresentam maior risco de mortalidade. Doenças do aparelho respiratório representam a segunda maior causa de internação e a terceira causa de óbito no Brasil (DPOC- enfisema, bronquite, Pneumonia…)

Hospitalização – é considerada fator de risco para óbitos por provocar condições que agravam a saúde, como infecções, isolamento social, iatrogenia, entre outras que podem proporcionar perda de independência e autonomia. Idosos hospitalizados apresentam um declínio físico progressivo e após a alta hospitalar, nem sempre conseguem recuperar o seu desempenho funcional anterior.

AVD – a dependência nas atividades de vida diária para o idoso é considerada um fator de risco principalmente se ele não tiver uma estrutura adequada para atender as suas necessidades. Idosos acamados ou mesmo com dificuldade de locomoção apresentam maior risco de óbito.

A cognição (memória) – o prejuízo do desempenho cognitivo pode alterar a capacidade funcional e comprometer outros domínios, como o físico e o social. A demência e a depressão levam a perda da autonomia e da independência, e estão associadas ao maior risco de mortalidade. (observado em um artigo1 de ortopedia onde a taxa de mortalidade é maior em pacientes pós cirurgia de colo de fêmur, quando o idoso apresenta alterações cognitivas, principalmente a depressão e a demência).

A auto-avaliação de saúde – Segundo Benyamini & Ilder, a maioria das pesquisas realizadas desde a década de 80, os idosos que auto-referiam saúde ruim apresentaram maior incidência de óbito do que aqueles que consideravam excelente.

Nível sócio econômico – de acordo com o artigo 3 há um aumento de risco de óbito 2 vezes no risco de mortalidade dos idosos em ambos os sexos

A prevenção dos riscos continua sendo a melhor solução para melhorar a sobrevida, seja o paciente idoso acamado (frágil) ou independente. Procurar participar das campanhas de vacinação contra a gripe, pneumonia, tétano; adequar o meio ambiente para receber o idoso, com medidas de prevenção para quedas, retirando os tapetes, adaptando o banheiro, o quarto, evitando as escadas e desníveis, entre outras medidas; orientando e estimulando uma mudança na vida diária, através de atividade física, socializando com amigos, jogos,laser, eliminando os vícios e estimulando as atividades sociais. Principalmente oferecendo aporte ao familiar, para que este tenha condições de assistir melhor o seu familiar.

A idade não é vista como um fator de mortalidade por si só, e sim a história de vida do paciente, suas doenças adquiridas no decorrer de sua existência e a falta de atenção preventiva das doenças crônicas. Toda uma história mais os fatores de agravamento e ai sim a idade podem ser considerada o fator de morbimortalidade.

Referências:

1-CUNHA, U e VEADO MAC- Fratura da extremidade proximal do fêmur em idosos: independência funcional e mortalidade em um ano. Revista de Ortopedia e Traumatologia, junho 2006,VOL 41, NO 6,p.195-199.[on line]

2- MAIA FOM, DUARTE YAO,LEBRAO ML et al Risk factors for mortality among elderly people. Revista Saúde Pública, Dec. 2006, vol.40, no.6, p.1049-1056. [on line]

3-RUIZ, T, CHALITA, LVAS, BARROS MBA – Estudo de Sobrevivência de uma coorte de pessoas de 60 anos e mais no município de Botucatu (SP) Brasil. Revista Brasileira Epidemiologia, Sept. 2003, vol.6, no.3, p.227-236. [on line]

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