06 - mar
  

Esqueleto fibroso do coração: anatomia e embriogênese

Categoria(s): Cardiogeriatria, Dicionário




Dicionário

ESQUELETO FIBROSO DO CORAÇÃO

Esqueleto fibroso do coração

A princípio entendia-se o esqueleto fibroso como uma simples estrutura colocada entre as valvas cardíacas com a função de apoio às lascíneas e feixes musculares, ou então como mero elemento separador das musculaturas atriais e ventriculares. Atualmente entende-se que os elementos componentes deste sistema têm estruturas e funções complexas.

O sistema esquelético do coração com seus vários componentes funciona de acordo com a sua localização, como aparelho de sustentação, no caso dos anéis valvares, como aparelho separador, no caso dos septos interatrial e interventricular.

Em vista disto nós podemos dividir didáticamente o sistema esquelético do coração em : conjunto de sustentação, conjunto septal e conjunto atrial.

Conjunto de sustentação

O conjunto de sustentação representa a parte principal do esqueleto fibroso do coração, e deste o corpo fibroso central com duas porções: a porção atrial e a porção ventricular,a sua parte fundamental. Este conjunto dá sustentação a praticamente todas as estruturas cardíacas, pois mantendo-se relativamente fixo permite a mobilidade destas estruturas.

O ponto central do esqueleto fibroso é a raiz da artéria aorta, e nesta localização, entre o anel das valvas tricúspide e mitral encontramos um tecido fibroso denso, o corpo fibroso central que ocupando uma posição entre os átrios e os ventrículos, exerce importante papel na união e sustentação dos anéis fibrosos valvares. Contribui também na formação do corpo fibroso central o trígono fibroso direito, e a porção membranosa do septo interventricular.
Fazendo parte do conjunto de sustentação vemos um tecido fibroso que se extende na região posterior da lascínea septal da valva mitral até a lascínea septal da valva tricúspide, promovendo a união dos anéis fibrosos das valvas mitral e aórtica, denominado de continuidade fibrosa mitroaórtica. Este tecido fibroso apresenta trígonos de reforço nas extremidades direita e esquerda.

No conjunto de sustentação o componente valvar é representado pelos 4 anéis fibrosos que dão sustentação aos folhetos valvares. Os anéis fibrosos mitral e aórtico se mostram mais próximos e coesos, o anél fibroso da valva tricúspide apesar de junto dos dois anteriores, afasta-se do corpo fibroso central, já o anel fibroso da valva pulmonar encontra-se totalmente separado, num plano mais superior, fazendo ligação com o anel aórtico através do tendão do conus.

As valvas atrioventriculares apresentam, além dos anéis, as lascíneas e as cordoalhas que as unem aos músculos papilares. O anel da valva mitral, assim como a valva aórtica apresenta em sua face ventricular fibras musculares aderidas.Anteromedialmente a lascínea anterior da valva mitral esta em continuidade com as lascíneas esquerda e a posterior da valva aórtica. Como vimos, existe uma forte união entre os anéis das valvas mitral e aórtica com um tecido fibroso espesso denominado continuidade mitroaórtica, com reforço na sua extremidade esquerda (trígono fibroso esquerdo), e na sua extremidade direita (trígono fibroso direito).

Conjunto septal

Uma importante região do esqueleto fibroso do coração localiza-se na via de saída do ventrículo esquerdo, junto da sua parede anterior. Esta região é formada pela porção membranosa do septo interventricular com seus dois componentes: o componente interventricular, e o componente atrioventricular, estando este último situado entre a raiz da artéria aorta e o átrio direito.

A extremidade superior do septo membranoso interventricular está em continuidade com a parede anterior da aorta ascendente, e a extremidade inferior está em continuidade com a porção muscular lisa do septo interventricular.

A face direita do septo membranoso interventricular dá apoio a uma pequena parte da lascínea medial da valva tricúspide, como também, à parte da parede medial do átrio direito. Nesta região as fibras musculares atriais prendem-se junto a área do nó atrioventricular, no corpo fibroso central, mostrando, assim a íntima relação anatômica e funcional existente entre estas estruturas, ou seja, fibras musculares atriais, esqueleto fibroso do coração e sistema específico de condução.

Na parede posterior da via de saída do ventrículo esquerdo existe uma região de sustentação da parede anterior o átrio esquerdo, logo abaixo da área de apoio da lascínea posterior da valva aórtica. O espaço resultante entre estas duas áreas de sustentação é preenchido por um tecido fibroso, que recebe o nome de septo intervalvar, e mede no adulto entre 2 e 10 mm de comprimento.

Conjunto atrial

O conjunto atrial é formado pela porção inferior do septo interatrial e principalmente por uma importante extensão do folheto fibroso que ocorre no átrio direito que é o tendão de TODARO , uma estrutura resultante da continuidade fibrosa da comissura das válvulas da veia cava inferior e do seio coronariano, passando por trajetos intramiocárdico através do septo do seio coronariano e inserindo-se no corpo fibroso central.

Embriogênese do esqueleto fibroso do coração

O esqueleto fibroso do coração é composto por várias estruturas intimamente relacionadas, porém se formando em tempos e locais distintos, para só no final compor esta importante parte do coração.

Por este motivo os embriologistas se ocuparam mais do estudo de cada parte individualmente, como por exemplo, a valvogênese, a septogênese atrial, a septogênese ventricular, em detrimento do estudo do conjunto todo. Se quizermos, então, compreender como se forma o esqueleto fibroso do coração temos que nos reportar a estes estudos particularizados.

O esqueleto fibroso do coração tem sua origem a partir de vários tecidos embrionários, destes, chama a atenção o tecido sulcal que contribui na formação de quase todo o sistema fibroso, como o septum primum, como os anéis fibrosos de sustentação das valvas, como a porção atrial do corpo fibroso central, como o tendão de TODARO e parte do septo membranoso interventricular.

Além do tecido sulcal também participam na formação do esqueleto fibroso do coração os coxins endocárdicos, a saliência bulbo(cono)ventricular e a crista tronco-conal direita.

Referências:

Walmsley,R.; Watson,H. – Clinical anatomy of the heart. London, Churchill Livingstone,1978.

Walmsley,R. – Gross anatomy of the heart. Anat. Rec. 1960;136:298.

Walmsley,R. – Anatomy of left ventricular outflow tract. Br. Heart J. 1979;41:263

Zimmerman,J.;Bailey,C.P. – The surgical significance of the fibrous skeleton of the heart. J. Thorac. Cardiovasc. Surg.1962;44:701
Van Gils,F.A.W. – The development of the human atrioventricular heart valves. J. Anat. 1979;128:427.

Anderson,R.H.; Becker,A.E.; Wenink,A.C.G.; Janse,M.J. – The development of the cardiac specialized tissue. In: Wellens,H.J.J.; Lie,K.J.; Janse,M.J. – The conduction system of the heart: structure, functions and clinical implications,Philadelphia, Lea & Febiger,1976.p.3.

Van Gils,F.A.W. – The fibrous skeleton in the human heart. Embryologycal and pathogenetic considerations. Virchows Arch (Pathol. Anat.) 1981 393:61.

Odgers,P.N.B. – The development of the pars membranacea septi in the human heart. J. Anat. Phisiol. 1938;72:247.

Meredith,M.A.; Hutchins,G.M.; Moore,G.W. – Role of the left interventricular sulcus in formation of the interventricular septum and crista supraventricularis in normal human cardiogenesis. Anat. Rec. 1979;194:417.

Wenink,A.C.G. – Embryoly of the ventricular septum. Separate origins of its components. Virchows Arch. (Pathol. Anat.) 1981;390:71.
Allwork,S.P.; Anderson,R.H. – Development anatomy of the membranous part of the ventricular septum in the human heart. Br. Heart J.1979; 41:275.

Tags: ,




Comentário integrado ao Facebook:


1 Comentário »

  1. joselita comenta:

    26 fevereiro, 2008 @ 11:03 AM

    eu gostaria de sabe com e que eu faso para estudar anatomia?

Deixe seu comentário aqui !