Resenha
Colaboradora: Dra Ana Claúdia Cunha Correia
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) caracteriza-se por limitação ao fluxo aéreo que não é totalmente reversÃvel, sendo geralmente progressiva e associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões a partÃculas ou gases nocivos.
Apesar de o tratamento medicamentoso ser destinado ao órgão que é primariamente acometido, os pulmões, o impacto da terapia broncodilatadora e antiinflamatória sobre a capacidade de exercÃcio pode ser modesto.
A perda de força muscular e a sÃndrome sarcopência (hipotrofia muscular) são fatores importantes para a redução da tolerância ao exercÃcio em pacientes com DPOC. A etiologia dessa sÃndrome parece ser multifatorial, envolvendo descondicionamento, hipóxia sistêmica e/ou hipercapnia, e alterações induzidas pela idade, drogas e depleção nutricional.
A perda progressiva de peso é um achado comum nesta doença, podendo ser identificada em até 50% dos pacientes, especialmente naqueles com predomÃnio de enfisema pulmonar. Nestes pacientes ocorre um desequilÃbrio energético, causado por redução no consumo e aumento no gasto energético basal,
Comumente, a perda ponderal é acompanhada de redução da massa muscular esquelética (sarcopenia), provocada pela à inflamação sistêmica, caracterizada pelos altos nÃveis de fator de necrose tumoral tipo alfa (TNF-alfa e interleucina 6 (IL-6), que estão envolvidos com a anorexia que estes pacientes apresentam; pela hipóxia causando uma baixa oxigenação periférica com conseqüentes efeitos negativos sobre a estrutura e função muscular esquelética; pela dispnéia levando à diminuição na ingestão alimentar e inatividade fÃsica e; pela desnutrição levando à metabolização protéica como forma de obtenção de substrato energético.
A sarcopenia é um fator prognóstico negativo, independente do grau de obstrução, estando associado com aumento da morbidade e mortalidade destes pacientes.
Em pacientes com DPOC, o uso de suplementações hormonais, como decanoato de nandrolona (hormônios sintéticos semelhantes à testosterona), hormônio de crescimento recombinante (rhGH) e protéicas, como creatina, L-carnitina, aminoácidos de cadeia ramificada – ACR (leucina, isoleucina e valina) visa a seus benefÃcios ergogênicos, especialmente aqueles relacionados com o aumento da sÃntese e/ou diminuição do catabolismo protéicos.
Considerando-se o impacto que a reduzida massa muscular parece exercer sobre a morbidade e a mortalidade em pacientes com DPOC, existem, relativamente, poucos estudos controlados e randomizados realizados com as substâncias ergogênicas citadas acima. Por tanto, tornado-se um campo amplo de estudo.
Referência:
Villaça DS; Lerario MC; Dal Corso S; Neder JA - Novas terapias ergogênicas no tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica. J. Bras. Pneumol. v.32 n.1 São Paulo ene./feb. 2006