25 - fev
  

Prevenção cardiovascular global

Categoria(s): Cardiogeriatria, Demografia, Gerontologia, Programa de saúde pública




Opinião

Estima-se que em 2020, como decorrência do crescimento da população idosa e do aumento da longevidade, as doenças do aparelho cardiocirculatório continuarão a liderar as estatísticas de letalidade, seguidas pelos cânceres e por outras doenças crônicas, como as do aparelho respiratório, e osteoarticular.

A transição epidemiológica está causando um grande impacto no surgimento das DCV. Essa transição é observada pela diminuição da mortalidade por doenças infecto-parasitárias, urbanização e aumento da expectativa de vida. Alia-se a estas mudanças o aumento do tabagismo, apesar das campanhas anti-tabágico, diminuição das atividades físicas diárias, mudança do perfil de dieta (rica em calorias e gorduras) e aumento do estresse. Estes fatos fazem surgir cada vez mais casos de obesidade, dislipidemia (alterações do colesterol e triglicérides), hipertensão arterial sistêmica e aumento de resistência à insulina (componentes da síndrome metabólica). Todos estes fatos juntos predispõe as DCVs.

Dentre mais de 300 potenciais fatores de risco pesquisados, a idade, o sexo e história familiar de DCV , a dislipidemia, o tabagismo, o diabetes, a hipertensão arterial, a obesidade abdominal, o sedentarismo e fatores psicossociais, foram capazes de predizer de forma independente, o risco de infarto, parada cardíaca e morte súbita. É importante ressaltar que os fatores de risco se interagem com somatória nos eventos.

O programa de Prevenção Cardiovascular Global baseia-se no controle dos fatores de risco intimamente relacionado com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV).

No sentido de se estimar o peso de cada fator de risco e projetar a probabilidade e o tempo de ocorrer o evento cardiovascular (infarto, angina, arritmia grave, morte súbita, etc) montou-se estudos populacionais, que permitiram a criação de escores para a avaliação detalhada do perfil de risco de cada pessoa que procura consulta médica.

Dentre os escores, o mais utilizado e que serviu de modelo para a maioria dos outros, foi o de Framingham. Por meio dele, utilizando-se a idade, o colesterol total ou o LDL-colesterol, a pressão arterial, o tabagismo e a diabetes, calcula-se o risco estimado de desenvolver DCV no prazo de 10 anos. No Brasil, ainda não temos um escore, pois não dispomos de estudos prospectivos bem delineados.

Em nossa opinião nas populações com risco (alto, moderado ou baixo) para DCV a terapia inicial deve baseia-se na mudança de estilo de vida, com dieta e atividades físicas supervisionadas por profissionais da área e orientação psicológica para o abandono do tabagismo. Nas populações de risco moderado ou alto, o eventual tratamento medicamentoso deve ser guiado pelas diretrizes vigentes para controle da hipertensão arterial ou de dislipidemia, das Sociedade Brasileiras de Cardiologia e Metabologia.

Referência:

Avezum A, Piegas LS – Fatores de risco associados com infarto agudo do miocárdio na região metropolitana de São Paulo. Uma região desenvolvida em um país em desenvolvimento. Arq Bras Cardiol 2005. 84:206-213 [on line]

Mansur AP, Favarato D, Souza MFM, et al. Tendência do risco de morte por doenças ciruculatórias no Brasil de 1979 a 1996. Arq Bras Cardiol 2001,76:497-503 [on line]

Vaz VD, Rassi Jr A – prevenção Cardiovascular Global. Cardiometabolismo na Prática Clínica set.2006 vol 1. N1:28-35.

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