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Imobilidade, um sério problema para o idoso

Categoria(s): DNT, Fisioterapia, Gerontologia, Gerontotecnologia




Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti

Do ponto vista médico, a imobilidade é definida como a perda da capacidade de realizar movimentos autônomos empregados no desempenho atividades de vida diária (AVDs)* em decorrência da diminuição das funções motoras. Este fato, compromete a independência do indivíduo e por fim leva ao estado de incapacidade ou fragilidade.

Muitos fatores físicos, psicológicos e ambientais podem causar imobilidade em pessoas idosas, como: artrites, osteoporose, fraturas, doença de paget, doença de Parkinson, neuropatias periféricas, seqüelas de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca grave, doença coronariana instável (anginas), claudicação (doença vascular periférica), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), dor crônica, desnutrição grave, etc.

Um fator quase sempre esquecido é o efeito colateral de medicamentos. os sedativos e os hipnóticos, ao causarem sonolência e ataxia, podem prejudicar a mobilidade. os fármacolos antipsicóticos, especialmente os agentes d tipo fenotiazina, têm efeitos extrapiramidais e podem causar rigidez muscular e redução da mobilidade.

atrofia

Se este comportamento já é grave no ambiente domiciliar, que dizer quando o idoso está hospitalizado, apresentando uma menor reserva psicológica e uma menor capacidade de adaptação a ambientes não familiares, características que podem agravar a diminuição da capacidade funcional. A mobilidade reduzida, ou seja, que leva ao leito, é uma manifestação comum da depressão.

Um paciente é considerado portador da síndrome da Imobilidade quando apresenta as características do critério maior, ou seja, déficit cognitivo médio a grave, além de múltiplas contraturas. E também apresentar pelo menos duas características do critério menor: sinais de sofrimento cutâneo ou úlcera de pressão, dificuldades na deglutição (disfagia) leve ou grave, incontinência urinária e fecal, e alterações na fala.O sistema músculo-esquelético mostra as manifestações mais evidentes da imobilização coma fraqueza e a atrofia por desuso. Com a imobilização ocorre 1 a 2% perda da força muscular por dia, podendo atingir 40% nos longos períodos. Os grupos musculares que se atrofiam mais rapidamente são: quadríceps, flexores plantares e extensores da coluna. Observam-se também alterações bioquímicas, ocasionando o aumento de ácido lático nos músculos. A formação de contratura é uma das conseqüências mais comum na imobilização.

A imobilidade, provoca, além da perda hídrica, alterações no vigor e elasticidade da pele, facilitando as lesões dermatológicas, exemplo a dermatite amoniacal pelo uso de fralda geriátrica e a úlcera de decúbito.No sistema gastrointestinal pode levar a falta de apetite e a constipação.

Do ponto de vista psicológico a imobilidade prolongada pode provocar ansiedade, depressão, insônia, agitação, irritabilidade, desorientação no tempo e no espaço, diminuição da concentração e diminuição da tolerância à dor.

No sistema respiratório, o volume de ar corrente, volume-minuto,capacidade respiratória máxima, capacidade vital e a capacidade de reserva funcional sofrem uma redução de 25 a 50%. As secreções da mucosa tendem a acumular e a tosse pode ser ineficaz por causa da piora da mobilidade ciliar e da fraqueza dos músculos abdominais. Justificando uma das mais temidas complicações, a broncopneumonia, que acomete 15% dos idosos acamados nos hospitais.

Miller (1975) descreve os efeitos da imobilidade prolongada em pacientes idosos hospitalizados correlacionando a diminuição da atividade física com a perda metabólica. Oliveira (1983). Relata que durante a imobilidade há catabolismo com balanço negativo de nitrogênio, cálcio, fósforo, enxofre ,sódio e potássio.

Para tratar e prevenir o quadro causado pela imobilidade, necessitamos de uma abordagem multidisciplinar e da participação ativa dos familiares, durante a internação e principalmente após a alta hospitalar, procurando manter a qualidade de vida do idoso.

*As atividades de vida diária (AVDs) compreendem aquelas atividades que se referem ao cuidado com o corpo das pessoas (vestir-se, fazer higiene, alimentar-se)

Referências:

Siqueira AB, Cordeiro RC – Imobilidade In:Ramos LR;Toniolo Neto J- Guia de Medicina Ambulatorial e Hospitalar UNIFESP-Escola Paulista de Medicina–Geriatria e Gerontologia, Editora Manole 2005. Cap 21, pg 271.

Miller M. Iatrogenic and nurisgenic effects of prolonged immobilization of the aged. J Am Geriatric Soc 23(8), 1975.

Kane RL, Ouslander JG, Abrass IB – Geriatria Clinica Ed. McGrawHill 5a. edição 2005. Cap 10 Imobilidade p.227.

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17 Comentários »

  1. mariana monnerat comenta:

    12 novembro, 2007 @ 8:58 AM

    Sou estudante de fisioterapia e O tema central da minha monografia é como previnir patologias respiratórias secundárias a Sindrome da imobilidade!!!
    Estou encontrando dificuldade em conseguir material!!!! Se for possível entre em contato comigo!!!

  2. Bruno comenta:

    15 novembro, 2007 @ 2:43 PM

    Sou academico de fisioterapia e estou montando um projeto de atividades com idosos para a prevenção ou para amenisar sintomatologia da osteoporose… estou precisando de materiais, agradeço a quem mandar. obrigado

  3. wasty comenta:

    1 fevereiro, 2008 @ 5:36 AM

    Estou fazendo monografia sobre constipação intestinal em idosos, sou estudante de nutrição se alguém tiver alguma coisa mande para meu email

  4. vanessa comenta:

    2 abril, 2008 @ 11:18 PM

    olá, sou estudante de enfermagem estou fazendo minha monografia nos fatores de riscos para sindrome da imobilidade, tenho ultilizado os recursos de artigos, livros Tratado de Medicina Interna, mas estou precisando de mais referencias, quem puder me dá algumas dicas…. agradeço
    nessinhazevedo@yahoo.com.br

  5. luana comenta:

    24 julho, 2008 @ 4:52 PM

    ola,estou no 6 período de enfermagem e estou pensando em fazer minha monografia sobre sindrome da imobilidade,gostaria de receber algumas informações e opinioes sobre o tema de quem ja esta dominando mais o assunto!!
    valeuuuuuuuuuu

  6. Aline comenta:

    17 setembro, 2008 @ 8:42 PM

    Sou estudante de enfermagem, e estou fazendo minha monografia sobre sindrme do imobilismo!Se vcs tiverem algo me enviem o assunto!
    Desde ja agradeço!

  7. Erika comenta:

    10 março, 2009 @ 11:56 PM

    Olá.. estou no ultimo ano do curso de fisioterapia e vou fzer minha monografia sobre a sindrome da imobilidade, se puder tb me enviar referencias eu agradeço desde já, pois o que tenho ainda é muito pouco!!
    Obrigada!!!!!!!

  8. tania placido comenta:

    14 março, 2009 @ 1:06 PM

    Olá, amigos, estou no último ano de direito e escolhi o tema pro tcc, “a proteção do idoso e a dignidade humana”, e até agora não consegui livros e algo não ser o estatuto do idoso. Preciso de ajuda!!!! obrigado desde ja.

  9. flankneide ramos viana comenta:

    17 abril, 2009 @ 12:52 PM

    Olá.. estou no ultimo ano do curso de fisioterapia e vou fzer minha monografia sobre a sindrome da imobilidade, se puder tb me enviar referencias eu agradeço desde já, pois o que tenho ainda é muito pouco!! ou artigos e textos
    Obrigada!!!!!!!

  10. francisca Aratuzia Gonçalves comenta:

    16 maio, 2009 @ 10:21 PM

    estou terminando meu curso de pos-graduaçâo em gerontologia , o tema do meu trabalho é sindrome do imobilismo no idoso , estou com dificuldade em encontrar material para desenvolver o trabalho ,por favor quem tiver artigos que fale sobre o assunto por favor enviar. obrigada

  11. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    21 maio, 2009 @ 6:16 AM

    Francisca.
    Veja o artigo de revisão do Médico Philipe de Souto Barreto – Atualidades sobre fragilidade no idoso e exercício físico. Geriatria&GerontologiaVol2 (2) Abr/Mai/jun 2008,72-80. Acesse pelo site da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – http://www.sbgg.org.br
    Prof. Armando

  12. Quésia comenta:

    16 setembro, 2009 @ 11:14 AM

    Gostaria que vocês compartilhacem os artigos comigo já que também estou no útimo ano de fisioterapia e também farei minha mografia sobre a síndrome do imobilismo no sistema osteomioarticular.Mandem referências.
    Obrigada!!!!!!!!!!

  13. JULIANA PESSOA COSTA comenta:

    22 março, 2010 @ 6:05 PM

    ola! sou estudante de Terapia ocupacional e minha monografia é sobre As atividades de vida diária (AVDs) com pacientes com pouca mobilidade. Adorei o artigo, pois é a cara da Terapia ocupacional!

  14. Antonia comenta:

    8 junho, 2010 @ 10:07 PM

    Meus pais idosos ambos com osteoporose e só sobrevivem com aposentadoria de 1 sálario existe uma forma de conseguir os remédios de osteoporose e Glaucoma de graça?

  15. mauro mende comenta:

    14 julho, 2011 @ 12:31 PM

    1º passo : tire o cartão do sus
    2º passo: esteja com uma receita atual com o nome do medicamento cientifico/ principios ativo
    3º compareça á farmacia do glicerio – entrada 5 (SP), ou vá ao posto médico centralizador de sua cidade e solicite o medicamto.

    muito provavelmente vc irá encontrar, atualmnte o progrma do goveno de distribuição de medicamentos esta incluindo varios medicamentos desconhecidos e divulgados, por esse motivo é importante tentar.
    boa sorte.

  16. kamilla comenta:

    25 abril, 2013 @ 5:18 PM

    Sou estudante de Tecn de enfermagem, e me ajudou muito seu site, pois tenho uma grande duvida se a Sindrome de Imobilização é a mesma coisa de Imosbilismo ?

  17. Imobilidade, um sério problema para o idoso | Dr. Euvaldo Rosa comenta:

    3 dezembro, 2014 @ 2:38 PM

    […] Do ponto vista médico, a imobilidade é definida como a perda da capacidade de realizar movimentos autônomos empregados no desempenho atividades de vida diária (AVDs)* em decorrência da diminuição das funções motoras. Este fato, compromete a independência do indivíduo e por fim leva ao estado de incapacidade ou fragilidade. […]

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