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Zumbido e surdez nos idosos

Categoria(s): Gerontologia, Otogeriatria


Resenha

Segundo o serviço de estatística do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (National Institute of Health) existe alta prevalência na população adulta que procura esta instituição: perda auditiva (13% dos casos), zumbido (17%) e tontura (42%), principalmente em indivíduos idosos. A maior prevalência em idosos seria devido à alta sensibilidade dos sistemas auditivo e vestibular a problemas clínicos situados em outras partes do corpo humano e ao processo de deterioração funcional destes sistemas com o envelhecimento.

zumbidoZumbido (tinnitus) é a sensação de ruído leve, moderado ou severo no ouvido, perto do ouvido ou à distância, em alguma outra parte da cabeça. Os ruídos podem ser de vários tipos (chiado, assobio, barulho de chuva, estalos etc.).

O zumbido não é uma doença em si, mas sintoma de alguma lesão ou desordem no sistema auditivo.Há mais de 200 doenças relatadas que podem causar o zumbido e é fundamental saber identificar as causas de cada caso. Primeiro ataca-se as causas do problema. Nos casos em que é provocado por colesterol alto ou excesso de cafeína no organismo, por exemplo, a eliminação da origem, em geral, resolve a questão. Mas quando as causas são tratadas e o zumbido persiste, pode indicar uma lesão definitiva nos órgãos internos responsáveis pela audição e o problema deve ser tratado mais diretamente.

A perda auditiva (surdez, hipoacusia, disacusia etc.), que pode acompanhar o zumbido é relatada pelo paciente como diminuição leve, moderada ou severa de sua capacidade de ouvir e pode estar associada a dificuldade para entender o que se fala, intolerância a sons, pressão no ouvido, distorção da sensação sonora ou déficit de atenção.

Tanto a perda auditiva como o zumbido podem ser uni ou bilaterais. Estes sintomas são decorrentes de afecções da orelha externa, orelha média, labirinto ou ramo coclear do VIII nervo (sistema auditivo periférico) ou de localização central (núcleos, vias e inter-relações no sistema nervoso central).

Diagnóstico

Os pacientes com perda auditiva, zumbido, tonturas e manifestações associadas devem ser, obrigatoriamente, submetidos a testes para a avaliação da audição e do equilíbrio corporal. A seleção dos testes a serem realizados depende da história clínica dos doentes.

A avaliação tem o objetivo de confirmar ou informar a lesão auditiva e/ou vestibular, localizar o lado lesado, definir se a lesão é periférica, central ou mista, caracterizar o tipo e a intensidade da lesão auditiva e/ou vestibular, auxiliar na identificação do agente etiológico, estabelecer o prognóstico e acompanhar a evolução com o tratamento.

Avaliação audiológica

A audiometria e a imitanciometria são os testes audiológicos básicos que formam o perfil audiológico, primeiro procedimento para a avaliação clínica das alterações da audição.

A avaliação da audição é subjetiva: o paciente informa se está ouvindo ou não os estímulos acústicos em diversas intensidades, nas freqüências de 250 a 8.000 Hz (por via área) e de 500 a 4.000 Hz (por via óssea).

1. A audiometria analisa quantitativamente o que o paciente escuta, o que ele entende do que se fala e detecta alterações auditivas correspondentes a problemas do ouvido externo e/ou médio (perdas auditivas condutivas), do ouvido interno, do VIII nervo e das vias auditivas (perdas neurossensoriais). Quando problemas do ouvido externo e/ou médio estão presentes simultaneamente com disfunções do ouvido interno, temos uma perda mista. A intensidade leve, moderada, severa ou profunda pode ser caracterizada em cada ouvido isoladamente. A audiometria inclui testes de reconhecimento de fala (discriminação vocal), limiar de reconhecimento de fala (SRT) e limiar de detecção de voz (LDV).

O tipo de perda auditiva mais comum em pacientes idosos é o neurossensorial, por lesão do ouvido interno ou do nervo coclear.

2. A imitanciometria ou impedanciometria avalia as condições da orelha média e da tuba auditiva à timpanometria na ausência de perfuração da membrana timpânica, os reflexos do músculo estapédio ipsi e contralaterais, que, quando precoces, sugerem afecção coclear e a fadiga do reflexo estapédico, que indica lesão retrococlear. As alterações à imitanciometria também são freqüentes em idosos.

3. Testes audiométricos avançados- Alterações dos testes audiométricos avançados são mais freqüentes em pacientes idosos do que em qualquer outra faixa etária. Constituem testes audiométricos avançados, a audiometria de altas frequências, as otoemissões acústicas, a electrococleografia, a audiometria de tronco encefálico, os potenciais auditivos de média latência, os testes de processamento auditivo central e os potenciais cognitivos (P300).

4. Os potenciais cognitivos (P300) medem a velocidade de processamento cerebral, integrando a audição com outras atividades cerebrais. Permite a caracterização do grau de envelhecimento cerebral, acompanhar a evolução de diversos problemas clínicos de cunho geriátrico, neurológico, psiquiátrico e fonoaudiológico.

Orientação terapêutica

A adequada orientação terapêutica depende essencialmente da precisão do diagnóstico sindrômico, topográfico e etiológico. O tratamento etiológico, quando a causa é identificada, é fundamental, mas pode ser insuficiente para resolver o problema auditivo e/ou vestibular.

Na grande maioria dos casos é possível reconhecer um agente etiológico para a perda auditiva, o zumbido e/ou a tontura e, em muitos deles, é possível instituir uma terapêutica específica.

Diversos medicamentos, cirurgias, próteses auditivas, reabilitação auditiva, correção de erros alimentares e modificação de hábitos são opções para o tratamento em casos com zumbido e perda auditiva.

Os medicamentos normalmente utilizados atuam sobre os neurotransmissores, diminuindo a transmissão das informações nervosas. Eles fazem com que o indivíduo tenha uma menor percepção dos estímulos auditivos e assim perceba menos o zumbido. Entretanto, parte dos pacientes, que não é sensível aos medicamentos, necessita de um retreinamento auditivo ou habituação.

Terapias especializadas, chamadas “retreinamento” auditivo ou “habituação“, e o uso de medicamentos têm conseguido bons resultados contra o zumbido.

Habituação - Segundo especialistas, 80% das pessoas que têm zumbido não se atormentam com ele devido a um fenômeno natural chamado “habituação”: o estímulo sonoro é recebido, mas é bloqueado na entrada do cérebro. Isso acontece normalmente com todo mundo e é uma estratégia criada pelo organismo para não perder a concentração, em função dos ruídos indesejáveis. Os 20% dos pacientes que têm zumbido e se incomodam não viveram o processo natural de “habituação” e terão como tratamento uma “habituação” induzida. Esse tratamento, se inicia com uma orientação sobre o problema. “Esses pacientes precisam ser orientados porque o zumbido lhes traz muitos medos: o medo de que seja um tumor, que seja uma alucinação, que ele cause surdez ou vá aumentando até ele não agüentar mais”.

O retreinamento se baseia no princípio de que o indivíduo que tem zumbido deve evitar o silêncio. O paciente acopla um pequeno aparelho que se encaixa atrás da orelha, que fica emitindo um som em baixo volume (mais baixo do que o som do zumbido), monótono e constante, como um barulho de chuva, por exemplo. Esse aparelho estimula o processo de habituação, fazendo com que o zumbido vá sendo progressivamente barrado no cérebro. O tratamento leva 18 meses em média. Depois dele, o aparelho não é mais necessário e a percepção do zumbido é alterada.

Não podemos esquecer que o diagnóstico e o tratamento dos quadros clínicos de surdez, zumbido, tontura e sintomas associados freqüentemente requer uma equipe médica interdisciplinar, com a participação ativa de mais de um especialista em diferentes campos da medicina ou áreas afins: otorrinolaringologista ou otoneurologista, fonoaudiólogo, clínico geral ou geriatra, cardiologista, neurologista ou neurocirurgião, psicólogo ou psiquiatra, ortopedista, reumatologista, fisiatra etc. Assim, o Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido (GAPZ) foi criado para proporcionar a troca de experiências entre portadores de zumbido e para fornecer informações atualizadas aos participantes na forma de palestras.

Referências

Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido - GapzCampinas [on line]

Fundação Otorrinolaringologia [on line]

Ganança, M.M.; Caovilla, H.H.; Munhoz, M.S.; Silva, M.L.G.; Frazza, M.B.; Ganança, F.F., Ganança, C.F. - “Labirintites” no Idoso: Diagnóstico Laboratorial. Atualidades em Geriatria, 2(13): 8-10, 1997

Munhoz, M.S.L.; Silva. M.L.G.; Ganança, M.M.; Caovilla, H.H.; Frazza, M.B. - Perda Auditiva no Idoso. Parte I - Sinopse dos Principais Quadros Clínicos. Atualidades em Geriatria, 3(16): 20-4, 1998.

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9 Comentários »

  1. Deficiência da audição nos idosos - Presbiacusia ou surdez comenta:

    20 Junho, 2007 @ 21:47

    [...] Muitas vezes a deficiência auditiva pode vir acompanhada de um zumbido que compromete ainda mais o bem estar. Esse zumbido tem como característica percepção de som na ausência de uma fonte sonora externa e afeta cerca de 20% da população mundial. Suas queixas principais são: “chiado”, “grilo”, “apito no ouvido”, “panela de pressão na cabeça”, etc. [...]

  2. Medicina Geriátrica » Vertigem -Síndrome de Ménière: Tratamento medicamentoso comenta:

    27 Junho, 2007 @ 17:21

    [...] crises vertiginosas, diminuição da audição, zumbido e sensação de pressão ou ouvido cheio. O zumbido, a diminuição da audição e a sensação de plenitude no ouvido costumam piorar durante as [...]

  3. Marcia Peres comenta:

    25 Setembro, 2007 @ 18:01

    Meu pai tem 70 anos, teve perda súbita de audição do lado direito porém o que mais o incomoda são ou ruídos constantes que ele diz ouvir. Isto está deixando-o enlouquecido além de deprimido. Por favor, me informem se existe algo que possa ser feito, ou medicação ou cirurgia para que possamos amenizar esta situação. Fico no aguardo, muito ansiosamente, de um retorno pois me faz muito mal vê-lo sofrer como ele está.
    Muito obrigada
    Marcia Peres

  4. Maria Cardoso comenta:

    23 Dezembro, 2007 @ 19:47

    Minha mãe sofreu de labirintite e agora com 73 anos perdeu muito da capacidade auditiva. Porém, agora, diz ouvir música dentro da cabeça. Esse som é constante como tivessem ligado um rádio em seu ouvido.
    Será disfunção cerebral ou auditiva?
    Aguardo sua resposta.
    Grata
    Maria Cardoso

  5. Elis comenta:

    4 Março, 2008 @ 20:47

    Tenho zumbido no ouvido esquerdo (ouço som de violão) e surdez moderada. No ouvido direito tenho surdez profunda. Estou quase surda. Estou fazendo tratamento mas não sinto melhora. Não sei mais o que fazer.

  6. Sara Haum comenta:

    7 Março, 2008 @ 12:46

    Trabalhei em uma empresa de telecomunicações durante 18 anos e 9 meses, quando entrei na empresa tinha 22 anos nunca senti problema nenhum auditivo naquela epoca
    em 94 comecei a perceber que cada dia ouvia menos, e a cada audiometria que a empresa pedia ia perdendo um pouco da audição, meu ultimo exame feito dia 27/02/2008 o BERA deu afecção retococlear com perda auditiva de grau profundo nas orelhas direita e esquerda, gostaria de saber se essa perda foi devido o uso de fone de ouvido durante o tempo que trabalhei como telefonista se antes de trabalhar na função não tinha esse problema e na familia não tem nenhum caso de surdez gostaria de uma opinão ou explicação de voces. obrigada

  7. maxsuel coimbra comenta:

    20 Maio, 2008 @ 21:18

    minha tia tem 56 anos e a mais de 2 anos ouve zumbidos nos ouvidos e barulhos insuportaveis na cabeça ja tomou renedio e nao funcionou, gostaria de saber se o aparelho auditivo resolve este caso e se tem cura para zumbidos e barulhos, gostaria de saber tambem qual a media de preço de um aparelho auitivo para este caso.

  8. João Vilela comenta:

    27 Maio, 2008 @ 11:00

    Tenho 62 anos, uma perca auditiva de 40% do lado esquerdo e 25% do lado direito, e um Zumbido tipo ” CIGARRA” nos ouvidos ou cabeça, a mais ou menos 7 anos.
    No inicio fiz um tratamento no período de 3 anos, não obtive sinal de melhoras, tentei conviver com problema, mas estou sentindo que a situação esta agravando a cada dia.
    O que devo fazer?
    Me ajudem pelo amos de Deus, estou desesperado.

  9. Pedro Ernesto Bonato comenta:

    23 Dezembro, 2008 @ 14:01

    Completo 59 anos em janeiro de 2009. Desde julho de 2005 passei a sentir um zumbido nos ouvidos, sendo que nos últimos dois meses parecer ter acentuado.
    Desde o início procurei um oftalmologista, que, após o exame de Audiometria e BERA, determinou a causa com perda da capacidade auditiva. Diagnótico que foi confirmado também por outro médico.
    Recebi a recomendação para evitar o café e, ainda, receitaram-me uma especie de calmante.
    Convivi pacificamente com o tal zumbido até recentemente, porém agora sinto atormentado. Parece sinais de um princípio de uma alucinação ou similar.
    De acordo com os diagnóticos médicos, foi informado que não como eliminar o zumbido.
    E agora? O desconforto está impactando negativamente na minha vida social, profissional etc.

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