Arquivo de 27/jan/2007





27 - jan

Saúde bucal dos idosos

Categoria(s): Conceitos, Demografia, Gerontologia, Odontologia geriátrica, Programa de saúde pública

Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti

O estado de saúde de uma população é medido pelos elementos dentários como o número de cáries e a presença das doenças periodontais. Segundo dados da pesquisa mundial de Saúde Bucal no Brasil, divulgada pela Fio Cruz, o País concentra 15,5 milhões de brasileiros totalmente sem dentes. Entre as mulheres acima de 50 anos, este índice chega a ser mais assustador, 56%. Um diagnóstico publicado no ano passado pelo Ministério da Saúde revelou que quase 80% da população apresenta doenças gengivais. O problema se agrava na população mais idosa, onde cerca de três em cada quatro pessoas acima de 65 anos já nem possuem mais os dentes.

Embora grande parte desse quadro seja originário da situação financeira que inviabiliza a visita e tratamento com dentista, outra importante parcela de responsabilidade está na falta de conhecimento de informação da população, que desconhece cuidados mínimos para manter a boa higienização da boca e assim evitar o desenvolvimento de doenças.

O problema da saúde bucal dos idosos passa pelos profissionais que os assistem. Muitas vezes preocupados com a saúde de uma forma geral esquece de fazer uma boa verificação do estado de saúde dos dentes e da boca. Fato este corroborado pelo paciente, que negligencia a higiene oral adequada e nem comenta de problemas bucais para o médico, julga que isto é caso para os dentistas.

A cavidade bucal é composta pelos dentes, esmalte, cemento, dentina, polpa e ligamento periodontal, glândulas salivares, língua, gengiva, nas quais ocorrem modificações naturais com a idade e modificações patológicas por bactérias, fungos, por doenças sistêmicas e por uso de medicamentos (iatrogenia).

A queixa mais freqüente é proveniente da friabilidade da mucosa oral, onde há um grande número de úlceras traumáticas, que se desenvolvem sob prótese dentárias (dentaduras) novas e antigas, levando ao idoso a retira-la. Nesta mucosa há uma desidratação progressiva, as células perdem a nutrição e a vitalidade, as propriedades elásticas do tecido conectivo ficam reduzidas. Portanto, com um maior risco de inflamações e úlceras.

Com a idade observamos que os dentes começam a sofrer desidratacão e dismineralizacão do esmalte que é um fator de risco de fraturas. Em relação a dentina ocorrem calcificações que levam a um processo de diminuição da sensibilidade e elevação do limiar de dor no idoso. O ligamento periodontal torna-se frouxo em idosos desdentados. A cárie nas crianças e nos adolescentes acometem a coroa e a superfície lisa, já no idoso a cárie é de raiz, com progressão rápida devido ao fluxo de saliva diminuída.

A osteoporose que ocorre no organismo também afeta o tecido ósseo de suporte dos dentes, a mandíbula e o maxilar. As alterações degenerativas em relação a articulação temporo mandibular (ATM) levam a mudanças e com isso a dor e a limitação de movimentos.

A língua dos indivíduos desdentados apresentam-se hipertrofiadas, resultado de transferência de algumas funções fonéticas e mastigatórias para ela. Outra manifestação comum é a despapilacão (perda das papilas gustativas) e a formação de fissuras (rachaduras).

Nas glândulas salivares ocorrem alterações regressivas, especialmente a atrofia das células levando a uma redução no fluxo salivar do idoso, na redução da qualidade da saliva (diminuição da ptialina e aumento da mucina). Essa mudança contribui para o crescimento de bactérias cariogênicas, predispondo a doença periodotal.

Outra causa importante de doenças na cavidade bucal é a farmacologia e suas repercussões direta e indiretamente levando : ulcerações, aumento do risco de cáries, xerostomia (ressecamento), sialorréia (aumento do fluxo salivar), hiperplasia gengival, candidíase, sensibilidade dolorosa, mucosite, glossite, problemas nas glândulas salivares, petéquias, sangramento gengival, lesões na cavidade bucal, lesões liquenóides (lesão branca), eritema multiforme, lupus eritematoso, Discinesia Tardia (movimento repetitivo da boca, lábios e língua), mudanças no paladar, angioedema (reação adversa a alimentos e medicamentos), pigmentação e neurite facial.

O tratamento, manejo e prevenção das doenças bucais em idosos é de extrema importância, onde a melhora da condição bucal leva ao bem estar e a saúde geral. As doenças bucais por ser extremamente dolorosas, podem afetar a mastigação, a alimentação, a comunicação e a interação social, gerando um impacto negativo na qualidade de vida.

Referência:

Livro de Geriatria e Gerontologia UNIFESP-autor Luiz R.Ramo,João T. Neto, cap.25, Saúde Oral.

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27 - jan

Aumento do número das plaquetas – Plaquetose

Categoria(s): Dicionário, Hematologia geriátrica

Aumento do número das plaquetas – Plaquetose ou trombocitemia

Abstrat:
Primary thrombocythemia is a disorder when the bone marrow is making too many platelets without a known cause. People with this condition make too many platelets and may have a problem with blood clots (thrombosis). Thrombocythemia may require treatment with a drug that decreases platelet production. Such drugs include hydroxyurea, anagrelide, and interferon-alpha. When the cause of thrombocythemia is known, the disorder is called secondary thrombocythemia. Bleeding, removal of the spleen, infections, rheumatoid arthritis, certain cancers, premature destruction of red blood cells (hemolysis), iron deficiency, and sarcoidosis can cause secondary thrombocythemia. Treatment is aimed at the cause. If the treatment is successful, the platelet count usually returns to normal.

Plaquetose (doença das plaquetas) é um aumento das plaquetas (células sangüíneas responsável pela coagulação) que podem estar presente nas doenças mieloproliferas (Policitemia Vera, Leucemia Mielóide Crônica, mielofibrose com metaplasia mielóide), doenças inflamatórias (febre reumática, artrite reumatóide, colite ulcerativa, etc.) e doenças malignas (carcinomas, Doença de Hodgkin e Linfomas não Hodgkin).

Atualmente a contagem do número de plaquetas existentes no sangue é através da técnica de impedância (resistividade), de forma automatizada. Quando estamos com dúvidas na contagem do número das plaquetas, exemplo número muito baixo, no realizamos a contágem “manual”.

O valor normal das plaquetas é de:

150.000 a 350.000/mm3 – recém-nascidos até 5 meses de idade.

150.000 a 450.000/mm3 – a partir de 6 meses e adultos

Um elevado número de plaquetas no sangue periférico resulta de intensa produção pela medula óssea (hiperplasia megacariocítica).  Os megacariócitos são as células da medula ósse que formaram as plaquetas. Os paciente também apresentam esplenomegalia e  clínicamente pode ocorrer de sangramentos e/ou episódios de trombose.

Os critérios laboratoriais para confirmação diagnóstica são:
1. Contagem plaquetária acima de 600.000/mm3 em duas ocasiões diferentes, com intervalo de um mês; e
2. Biópsia de medula óssea mostrando proliferação da linhagem megacariocítica com número aumentado de megacariócitos grandes e maduros.

Adicionalmente, devem ser afastadas as seguintes doenças policitemia vera (PV), leucemia mielóide crônica (LMC), mielofibrose (MF), síndrome mielodisplásica (SMD) e trombocitose reativa:

O especialista que cuida destas doenças é o hematologista.

O termo trombocitemia significa aumento das plaquetas no sangue.

Veja as páginas:

Estudo de caso Trombocitemia (plaquetose) essencial

Policitemia vera

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