Arquivo de Janeiro, 2007

31
Jan

 Dor crônica - dor neuropática

Categoria(s): Emergências, Neurogeriatria, Psicogeriatria

dor

 Editorial

Como explica os casos de dores em membro amputado ou dormente? Acredita-se, que nestes casos o próprio sistema nervoso é capaz de gerar e perpetuar a dor, ou seja, um tipo de dor, chamada de neuropática.

A dor neuropática é freqüentemente intrigante e frustante, tanto para os pacientes como para os médicos. pois parece não apresentar uma causa definida, responde pouco aos tratamentos, pode durar indefinidamente, leva a incapacidade importante e até mesmo se exacerba com as variações climáticas e estados emocionais. Constituem exemplos de dor neuropática a neuropatia diabética, a nevralgia pós-herpética, a dor do membro fantasma, a neveralgia do trigêmio e a lombociatalgia.

São entendidos 4 mecanismos mais comuns para a dor neuropática:

1. Estimulação direta dos neurônios sensíveis à dor - Estes neurônios sensitivos primários são chamados de nociceptivos das fibras C. Eles disparam potenciais de ação em resposta ao estiramento mecânico ou à compressão e a substâncias mediadoras da reação inflamatória como as prostaglandinas (Exs. hérnia de disco, nevralgia do trigêmio). Tratamento - administração de substâncias que alivie a irritação mecânica ou química.

2. Disparo automático dos nervos lesados - A lesão das fibras nervosas por qualque agente pode causar disparo espontâneo tanto no local da lesão como em focos ectópicos ao londo do nervos lesado. (ex. neuropatia diabética). - Este tipo de dor é descrito como lancinantes, agudas ou em pontada. Adquire o caráter de dor contínua em queimação quando são afetadas várias fibras nervosas que disparam assincronicamente.

3. Desaferentação - Normalmente, as sensações seguem uma seqüencia de eventos desde o tecido periférico por intermédio de uma cadeia de neurômnios ao longo da medula espinal, do tronco encefálico e do cérebro. No caso da dor do membro fantasma, a perda de impulsos sensitivos de um membro pode acarretar disparos espontâneos nos neurônios de segunda e terceira ordens, o que resulta na dor.

4. Dor por mediação simpática - Todo tipo de estímulo doloroso pode desencadear atividade autonômica localizada com alterações circulatórias e da temperatura. Este processo pode continuar com fenômenos generalizados como vômitos, sudorese, desregulação circulatória como no infarto do miocárdio.

A dor neuropática geralmente piora a noite, característica que a distingue dos outros tipos de dor. Segue o território de distribuição dos nervos, dependendo de se for causada por neuropatia periférica (Ex. na diabética ou nos alcoolatras) - distribuição em luva e em bota, de radiculopatia (Ex. pós-herpética - distribuição em dermátomos) ou de mielopatia (nível da medula espinal, Ex lombalgia da hernia de disco).

A presença de dor desencadeada por um estímulo tátil discreto ou roçar em determina região do corpo (fenômeno conhecido como alodínia) sugere o diagnóstico de dor neuropática.

O tratamento é bastante frustante e, inúmeros tipos de medicamentos tem sido utilizados. Atualmente, a gabapentina tem sido a droga indicada pelos especialistas. Outros medicamentos são os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina, desipramina) e a sua associação com a gabapentina dão melhores resultados.

Em alguns casos o uso tópico de creme de capsaicina (ingrediente picante da pimenta-malaqueta) promove a libração local de substância P do C-PMN e, se usada 3 a 4 vezes ao dia, pode suprimir a substância P e limitar a transmissão dolorosa.

Referência:

Teixeira MJ - Aspectos gerais do tratamento da dor. Revista Médica 3:104-109, 1998.

Laboratório de Neurociências da USP (Psicologia) [on line]

Veja Também:
Desaferentação
Oftalmoplegia externa crônica progressiva (OECP)
Dor no idoso - Parte 2. Avaliação clínica
Estudo de caso - Prostatite crônica
Síndrome da fadiga crônica
Estudo de caso - Leucemia mielóide crônica

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31
Jan

 Síndrome de Caplan

Categoria(s): Dicionário, Reumatogeriatria

Dicionário

A síndrome de Caplan, descrita originalmente nos mineiros de carvão de Welsh, e simplesmente a associação da artrite reumatóide (AR) e nódulos pulmonares múltiplos (granulomas reumatóides) em pacientes com pneumoconiose. Pode ocorrer a ausência de alterações radiológicas.

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Síndrome da alça curta
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Estudo de caso - Hipertensão arterial secundária

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30
Jan

 Capacidade funcional - Atividades de vida diária (AVDs)

Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde

  Conceitos

A capacidade funcional (CF) do idoso é definida pela ausência de dificuldades no desempenho de certos gestos e de certas atividades da vida cotidiana. Os conceitos fazem parte de um sistema de Classificação Internacional de Comprometimento, Incapacidades e Desvantagens (ICIDH) da World Hearth Organization (WHO).

O comprometimento se relaciona aos aspectos orgânicos, é a perda ou alteração das estruturas ou funções sejam elas psicológicas ou fisiológicas. A incapacidade é a falta ou limitação de uma habilidade, que resulta de um comprometimento, para realizar uma atividade rotineira. A desvantagem seria um prejuízo social resultante do comprometimento e da incapacidade.

Os instrumentos mais conhecidos para avaliar a capacidade funcional são: Ãndice de Katz, índice de Kenny, índice de Barthel, Medida de Independência Funcional (MIF) e escala de atividades instrumentais de vida diária (AIVD) de Lawton.

As atividades de vida diária (AVDs) compreendem aquelas atividades que se referem ao cuidado com o corpo das pessoas (vestir-se, fazer higiene, alimentar-se), as atividades instrumentais de vida diária (AIVDs) são as relacionadas com atividades de cuidado com a casa, familiares dependentes e administração do ambiente (limpar a casa, cuidar da roupa, da comida, usar equipamentos domésticos, fazer compras, usar transporte pessoal ou público, controlar a própria medicação e finanças).

Em 1969, Lawton e Brody elaboraram uma escala para avaliar a AIVD (atividades instrumentais de vida diária), com oito atividades: uso de telefone, fazer compras, preparo de refeição, fazer faxina, lavar roupa, usar meio de transporte, tomar medicações e controle financeiro. Os itens são classificados quanto à assistência, à qualidade da execução e à iniciativa.

Todas estas “ferramentas” que medem a capacidade funcional, nos auxiliam a classificar e adequar os processo terapêuticos para os idosos e, também. propor programas governamentais de apoio ao idoso.

Referência:

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia [on line]

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Atividade de Vida Diária
Capacidade funcional
Reabilitação do paciente idoso
Imobilidade, um sério problema para o idoso
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Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 4. Ações da TO com idosos institucionalizados

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30
Jan

 Síndrome da alça curta

Categoria(s): Dicionário

 Dicionário

Após ressecção intestinal, o intestino remanescente sofre alterações, tanto estruturais quanto funcionais que aumentam a absorção de nutrientes e fluidos. As alterações estruturais (hiperplasia das células dos vilos e maior profundidade das criptas) começam alguns dias após a ressecção e resultam em aumento da área de superfície mucosa. A adaptação funcional (maior atividade enzimática da borda em escova e diminuição da motilidade gastrointestinal) também promove absorção de fluidos e nutrientes após a ressecção.

Após grandes ressecções do intestino delgado ocorre prejuízo da absorção da maioria dos nutrientes (achados clínicos ou bioquímicos característicos). A ingestão dietética inadequada e a perda de micronutrientes nas fezes contribuem para o desenvolvimento de deficiências de vitaminas e minerais.

Ver mais

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Síndrome da alça curta
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29
Jan

 Surdez no idoso

Categoria(s): Otogeriatria

� � Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti

A Sociedade Brasileira de Otologia informa que cerca de 30% dos atendimentos nos consultórios de Otorrinolaringologia referem-se a problemas auditivos e por esse motivo fará uma campanha para conscientização por todo o País, com o objetivo de desmistificar tabus que envolvem a deficiência auditiva e com isso melhorar a qualidade de vida de quem sofre deste problema.

Autor

Mais de 15 milhões de brasileiros têm problemas de audição, segundo a Organização Mundial de Saúde, apenas 40% reconhecem a doença. A falta de informação e o preconceito fazem com que a maioria demore até 6 anos para tomar uma providência, escondendo o seu problema.O maior dilema do surdo acontece em casa. Com o tempo quem tem problemas deixa de freqüentar a mesa da família e a sala de televisão. No idoso, a surdez constitui-se um dos mais importantes fatores de desagregação social, onde observamos a depressão, tristeza, solidão e isolamento.O envelhecimento populacional é um dos maiores desafios da saúde pública.Trabalhos recentes demonstram que a deficiência auditiva acomete de alguma forma cerca de 70% dos idosos, pelo menos 10 milhões de pessoas em nosso país. A perda da audição é a segunda mais comum inabilidade física nos EUA, logo atrás da dor lombar. Aproximadamente 10% da população dos EUA tem algum grau de perda auditiva, incluindo 1/3 dos americanos acima de 65 anos de idade.

Definimos a perda auditiva natural do idoso, acima de 65 anos como Presbiacusia, que somado as alterações degenerativas de todo o nosso organismo, medicamentos, doenças crônicas e a história natural da vida de um indivíduo (relações inter-pessoais) torna a perda auditiva extremamente comprometedora, interferindo diretamente com a qualidade de vida.

O idoso é visto principalmente pelos familiares como confuso, desorientado, distraído, não comunicativo, não colaborador, zangado, velho e senil. Com isso ele fica ansioso, frustrado por não entender aquilo que escuta com muita dificuldade, começa a cometer falhas, fica com raiva e acaba por se afastar da situação de comunicação. O resultado é o isolamento e a segregação.

Por todo esse quadro que observamos devemos ajudar as pessoas com problemas de audição seja idoso ou não, desmistificando, informando, levando–os a um tratamento adequado , respeitando as suas dificuldades e integrando-os novamente na sociedade.

Referência:

Sociedade Brasileira de Otologia [on line]
Manual Merck de Geriatria e Gerontologia [on line]
Campanha da saúde auditíva [on line]

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Veja Também:
Deficiência da audição nos idosos - Presbiacusia ou surdez
Surdez - Tratamento, implante coclear
Vertigem - Síndrome de Ménière
Zumbido e surdez nos idosos
Hipovitaminose de tiamina - shoshin beriberi
Zumbido - Fisiopatologia

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