Arquivo de Dezembro, 2006

06
Dez

 Insônia nas idosas - Papel da Menopausa

Categoria(s): Endocrinogeriatria, Ginecogeriatria, Neurogeriatria

Comentário

Os transtornos do sono constituem uma queixa comum entre as mulheres na menopausa. Alguns estudos sugerem que mulheres em transição para a menopausa apresentam problemas de insônia com uma freqüência muito maior que as jovens na pré-menopausa. Entre as prováveis causas de insônia ou outros tipos de transtornos de sono associados à menopausa, destacam-se os fogachos e as sudoreses noturnas, além das presenças dos quadros depressivos, da apnéia do sono, e dos quadros de dores crônicas.

As alterações na arquitetura do sono, particularmente aquelas que resultem na redução do sono delta (estágios 3 e 4 do sono, também chamados de “sono profundo” , sono delta ou sono de ondas lentas), costumam ser acompanhadas de prejuízo de funções de alerta diurno e de memória, diminuindo o desempenho em atividades laborativas, piora de quadros de dor crônica, além de uma série de alterações neuroendócrinas como, intolerância à glicose, alterações nos níveis de produção e secreção de prolactina, do hormônio de crescimento e de cortizol.

O eixo hipotâlamo-hipofisário-gonadal parece exercer papel modulador sobre os neuroesteróides e neurotransmissores ligados ao controle do humor e sono, como a serotonina, o GABA e a melatonina. Esse eixo mantém relações com a adrenal, o que certa forma leva as respostas humorais ao estresse, precipitando sintomas depressivos e distúrbios do sono, quando ocorrem variações dos níveis dos hormônios gonadais.
Durante algum tempo admitiu-se que o uso de terapias hormonais era o tratamento ideal para os diversos sintomas da menopausa, inclusive a insônia. Porém, atualmente, considerando-se os riscos cardiovasculares e o câncer de mama, a procura por terapias alternativas não-hormonais tem sido a tônica.

Terapias como o uso da técnica cognitivo-comportamental, que procura orientar como se comportar em relação ao sono, são cada vez mais empregadas.

Referência:

Buckey TM e Schatzberg AF On the interactions of the hypothalamic-pituitary-adrenal (HPA) axis and sleep: normal HPA axis activity and circadian rhythm, exemplary sleep disorders. J Clin Endocrinol Metab 90(5):3106-3114,2005.

Soares CN - Insônia na menopausa e perimenopausa - características clínicas e opções terapêuticas. Rev. Psiq. Clin 32(2):103-109,2006

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Fogachos

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05
Dez

 Idosos chefes de família

Categoria(s): Conceitos, Demografia, Gerontologia

Editorial

Estudo divulgado pelo IBGE, feito a partir dos censos de 1991 e de 2000, mostra que na década passada aumentou em 47,5% o número de idosos chefes de família, sendo 4,3 milhões em 1991 e 6,4 milhões em 2000. Ao lado disto observou-se um aumento de 60,8% o número de chefes de família com mais de 65 anos que conviviam no mesmo domicílio com netos ou bisnetos. No início da década passada, essa população era estimada em 688 mil pessoas. No final do período, chegou a 1,1 milhão.

Estes dados mostram a dependência cada dia maior das famílias pelos seus idosos. Os jovens estão tendo, cada vez mais, dificuldades para ingressar no mercado de trabalho e, conseguir o seu próprio sustento.

As aposentadorias e pensões, pagas pela Previdência Social, acabam atendendo não só aos mais velhos, como também aos seus familiares. E a maioria recebe benefícios de um salário mínimo. É pouco, mas é com esse dinheiro que muitas famílias resistem à pobreza e sobrevivem. E, nesses casos, os idosos são fatores de equilíbrio social e, não, ônus.
Em Campinas (SP), por exemplo, os idosos representam 8,6% de uma população de quase 1 milhão de pessoas. Desses, 30% são pobres, 54% têm baixo grau de escolaridade e 12% não sabem ler nem escrever. Em outras palavras, 66% dos idosos que vivem na cidade dificilmente seriam absorvidos pelo mercado de trabalho formal em virtude da baixa qualificação.

Estes fatos, evidenciam a necessidade de se procurar com urgência uma política social, adequada às futuras gerações, que não priorize as parcas benemerências do governo.

Referência:

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

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04
Dez

 Fogachos

Categoria(s): Endocrinogeriatria, Ginecogeriatria

Resenha

Cerca de 50% a 70% das mulheres apresentam sintomas vasomotores (fogachos, calores noturnos) durante a transição para a menopausa. Fogachos são sensações transitórias de dissipação de calor através da pele, acompanhadas de sudorese, palpitações, náuseas, tonturas, cefaléias e alterações do sono e eventualmente insônia.

Os mecanismos fisiopatológicos que contribuem para o desenvolvimento dos fogachos não são completamente conhecidos; sabe-se que, alterações dos níveis de estrógenos oriundos do declínio da função ovariana são importantes, mas não suficiente para o seu desenvolvimento.

A extensão do problema pode ser avaliado pelo número de mulheres brasileiras no climatério (período que entre 45 e 64 anos), mais de 13,5 milhões segundo o CENSO de 2000, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Regulação neuroendócrina.

O controle termoregulador se dá através de um centro localizado na região hipotalâmica anterior. Acredita-se que, durante a transição para a menopausa, ocorra um estímulo maior do sistema simpático através de receptores beta-2-adrenérgicos. Essa ativação adrenérgica contribuiria para a redução da chamada zona termoneutra (zona de variação normal da temperatura corpórea); desse modo, os sintomas vasomotores ocorreriam em resposta a pequenas variações de temperatura corpórea. O centro hipotalâmico termoregulador também é sensível a variações de neurotransmissores monoadrenérgicos, como a serotonina e a noradrenalina, e hormônios como a progesterona e luteinizante.

Referência

Joffe, H; Watson R. et al – Assessment and treatment of hot flushes and menopausal mood disturbance. Psychiatric Clinic North American 26(3):563-580,2003.

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Estudo de caso - TRH e trombose venosa
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03
Dez

 Alcoolismo nos idosos - Como agir

Categoria(s): Gerontologia, Sociologia

Editorial

Com o envelhecimento, o líquido corporal diminui levando a uma diminuição da diluição do álcool no sangue, acarretando uma sensibilidade maior aos efeitos do álcool do que nos jovens. O alcoolismo pode levar ao envelhecimento prematuro do cérebro ou acelerar o processo normal de envelhecimento do cérebro, levando à déficits no funcionamento comportamental e intelectual por danificar principalmente o lobo frontal do cérebro. Pode acelerar o desenvolvimento da instabilidade na postura levando as quedas.

No idoso o problema do alcoolismo pode estar camuflado por doenças clínicas ou psiquiátricas como depressão, insônia, doenças cardiovasculares e quedas freqüentes.

Então, se todas essas conseqüências são conhecidas, porque beber?

O idoso tem a sensação de perda. A maioria vive na ociosidade, aposentados, já perderam algum ente querido ou amigos, têm patologia de base ou já tiveram internação hospitalar,tem insônia, muitos são abandonados pela família, e não têm motivação alguma. Bebem para aliviar a tensão do dia a dia e esquecer as mágoas.

O diagnóstico do alcoolismo é feito através de uma “entrevista” com o paciente e sua família e exame físico. Os exames de laboratório não servem para diagnosticar alcoolismo, porém podem dar “pistas” se o paciente faz uso crônico de álcool, e conseguem dar uma idéia aproximada do grau de lesão de alguns órgãos devido aos efeitos tóxicos do álcool, como por exemplo no fígado.

Não existe um tratamento ideal para o alcoolismo. Por isso os casos devem ser considerados individualmente, e a partir de um bom exame clínico, deve-se indicar o tratamento mais apropriado para cada paciente de acordo com o grau de dependência e do ponto de desenvolvimento da doença em que se encontra a pessoa. É preciso lembrar também que as recaídas são comuns nos pacientes alcoólatras e que na grande maioria dos casos, o próprio paciente não consegue perceber o quanto está envolvido com a bebida, tendendo a negar o uso ou mesmo a sua dependência dela. Nestes casos, pode-se começar o tratamento ajudando o paciente a reconhecer seu problema e a necessidade de tratar-se e de tentar abster-se do álcool. A indicação de internação, pelo menos como fase inicial de desintoxicação, costuma ser a regra.

Os grupos de auto-ajuda, como os Alcoólicos Anônimos têm se mostrado como uma alternativa mais eficaz no tratamento do paciente alcoólatra e no acompanhamento de sua família, o que costuma ser indispensável para o bom andamento do tratamento. Algumas medicações podem ser utilizadas para causar uma reação física violenta se a pessoa ingere álcool ou ainda bloquear a vontade e o prazer de beber.

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02
Dez

 Alcoolismo nos idosos

Categoria(s): Demografia, Sociologia

Editorial

Colaboradora : Dra Regina Matico Ishizawa Rodrigues *

* Médica Geriátra

AlcoolísmoDe acordo com um levantamento da Secretaria Nacional Anti-drogas (Senad), feito em novembro de 2005, cerca de 19 milhões de brasileiros são dependentes do álcool, droga considerada a mais consumida no país. Esse número representa quase 10% da população e segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde a década de 70 o consumo no Brasil cresceu 70 %, o que coloca o país entre os 25 maiores consumidores de álcool do mundo.

Pesquisas mostram que indivíduos com mais de 60 anos apresentam menos problemas relacionados ao alcoolismo do que os jovens, mas está havendo um aumento no consumo de álcool pelos idosos, sendo que de 6 a 11% dos pacientes idosos admitidos nos hospitais têm sintomas de dependência alcoólica, equiparando às admissões por IAM. Em casas de repouso esta porcentagem aumenta para 49%.

Estes números preocupam os médicos, já que o número de dependes tende a aumentar junto com o aumento do consumo.

O alcoolismo é uma doença que afeta a saúde física, o bem estar emocional e o comportamento do indivíduo. Os efeitos físicos ocasionados pelo álcool são diminuição dos reflexos, aumento do risco de doenças como o câncer na língua, boca, esôfago, laringe, fígado e vesícula biliar, pode ocasionar hepatite, cirrose, gastrite e úlcera. Quando usado em grande quantidade pode ocasionar danos cerebrais irreversíveis Além disso, pode causar problemas cardíacos e de pressão arterial, levar à desnutrição.

Um indivíduo pode tornar-se alcoolatra devido a um conjunto de fatores, incluindo predisposição genética, estrutura psíquica, influências familiares e culturais. Sabe-se que homens e mulheres têm quatro vezes mais probabilidade de ter problemas com álcool se seus pais foram alcoolatras e geralmente está associado a outras condições psiquiátricas como transtornos de personalidade, depressão, transtorno afetivo bipolar (antiga psicose maníaco depressiva), transtornos de ansiedade e suicídio.

Os sintomas da intoxicação pelo álcool dependem de sua concentração no sangue. No início do quadro a pessoa pode tornar-se séria e retraída, ou falante e alegre. Podem ocorrer crises de riso ou choro, mas em geral ocorre sonolência. Gradativamente o indivíduo começa a perder a coordenação motora, apresentando dificuldade para falar e caminhar. Os reflexos tornam-se mais lentos. Intoxicações graves com concentrações maiores de álcool no sangue podem levar ao coma, depressão respiratória e morte.

Já os sintomas da intoxicação patológica caracteriza-se por intensas mudanças de comportamento e agressividade após a ingestão de uma pequena quantidade de álcool. A duração é limitada, sendo comum o black out (amnésia). Pela violência das manifestações pode ser necessário até internar o paciente além de medicá-lo.

É importante lembrar que, de acordo com uma pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o consumo abusivo de álcool tem relação direta com 42,7% dos acidentes de trânsito com vítimas na capital.

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