Dez
01

Depressão nos Idosos

Categoria(s): DNT, Neurogeriatria, Psicogeriatria


Resenha

A depressão na população idosa, embora freqüente, é pouco diagnosticada. O profissional que dá o primeiro atendimento ao idoso precisa estar atento e informado para detectar pequenos sinais que denunciam o problema.

O processo de envelhecimento mascara e dificulta o diagnóstico de depressão. O idoso geralmente apresenta como queixa inicial, a perda da memória ou falta de concentração, apatia, fadiga ou distúrbios do sono. Observou-se em 40% dos idosos internados a presença das síndromes depressivas associadas doença que motivou a internação.
Quando atendemos um idoso deprimido, devemos verificar se esta depressão não está sendo causada por um medicamento de uso contínuo, como os anti-hipertensivos, hipnóticos, ansiolíticos, anti-vertiginosos, antieméticos, hipoglicemiantes, analgésicos, diuréticos, etc.

Embora a depressão seja doença freqüente entre os idosos, é crucial encará-la como diagnóstico de exclusão. E as medidas preventivas são de fundamental importância no tratamento da depressão. A tendência com o envelhecimento é a pessoa tornar-se mais inativa e acomodada. O exercício físico é fundamental para manter o bom funcionamento do sistema cardiocirculatório e respiratório, com isso, preservar a força muscular, os reflexos, a coordenação motora. O exercício é o único evento natural capaz de otimizar o equilíbrio neuroquímico do cérebro, aumentando a produção das catecolaminas.

Um fator psicológico preponderante para o bom envelhecimento é manter o convívio social. Com a aposentadoria, aqueles que não têm relacões sociais bem estabelecidas tendem a perder totalmente o seu referencial e o seu objetivo de vida, caindo em depressão.
A atividade intelectual é crucial. O idoso deve aproveitar o seu tempo livre para aprender novas coisas e voltar a estudar aquilo que gostaria e que por algum motivo não pode faze-lo.

A utilização de terapias farmacológicas deve ser bem orientada, pois geralmente os idosos já tomam muitos medicamentos (prescritos pelo médico ou de sua auto-medicação), e as interações com graves conseqüencias, como tonturas e quedas são freqüentes.

Referência:

Sitta MC, Jacob Filho W - Abordagem Clínica da Depressão no Idoso e a Contribuição do Geriatra. In Fráguas Júnior R, Figueiró JAB - Depressões em Medicina Interna e em Outras Condições Médicas Editora Atheneu p.557-562

Indique esse artigo Indique esse artigo


5 Comentários »

  1. Mônica Cristine Jovê Motti comenta:

    16 Fevereiro, 2007 @ 20:51

    No artigo The depression and the aging process de Garcia, Aline e col.,descreve que a depressão do idoso é diferente da depressão em outra faixa etária, em relação a sintomatologia. Nos idosos a depressão se apresentaria com sintomas somáticos ou hipocondríacos mais freqüentes, haveria menos antecedentes familiares e o tratamento seria mais difícil, com pior resposta. A realidade mostra que o idoso esta em uma situação de vida mais susceptível, com perdas contínuas, diminuição do suporte familiar, perda do status ocupacional e econômico, declínio físico continuado, maior freqüencia de doenças físicas e a incapacidade crescente, já são motivos de alteração no humor. Em relação ao ponto de vista biológico, o idoso tem o aparecimento de fenômenos degenerativos ou doenças físicas que podem produzir os sintomas característicos da depressão.

    Em outro trabalho, do Drº Paulo Bertolucci, a depressão no idoso pode indicar um risco aumentado de desenvolvimento de demência, quando comparados com idosos não deprimidos. Segundo estudo publicado na revista Archives of Neurology, a depressão é um dos sintomas mais freqüentes nas demências, 40% dos pacientes com Alzheimer, 50% dos pacientes com demência vascular e mais ainda nos pacientes com Parkinson. A depressão pode levar a um quadro de agitação, agressividade e delíros e alucinações nos pacientes com demência, além de trazer uma maior dependência do idoso, e um maior desgaste para o cuidador.Portanto concluiu-se que a depressão nos idosos é um importante problema de saúde , incapacitando o paciente, trazendo sofrimento ao idoso e maior sobrecarga ao familiar.

  2. Maria Júlia comenta:

    10 Janeiro, 2008 @ 03:10

    Neste momento está a ser bastante dificil lidar com a minha avó que embora tenha 90 anos, até esta data tem estado lúcida e calma. Há um mês a esta parte tornou-se implicativa, irritáda e até agressiva, embora pense que continua lúcida e com discurso coerente. Acham que poderá estar com uma depressão e a necessitar de acompanhamento pessiquiátrico? Agradecia uma orientação, pois embora seja muito acarinhada, mimada e amada, está a ser bastante díficil ligar com o seu comportamento instável e agrassivo.
    Com os melhores cumprimentos ;
    Júlia Carvalho

  3. Prof. Armando Miguel comenta:

    10 Janeiro, 2008 @ 04:56

    Maria Júlia.
    Toda mudança súbita de comportamento deve ser investigada de forma exaustiva. Pode ser causada por distúbrios orgânicos e não psiquiátricos. Sugiro que a leve para consultar um geriatra ou um clínico geral. Não deixe de ter uma avaliação neurológica.
    Boa sorte.

  4. Marta Batista comenta:

    24 Maio, 2008 @ 10:10

    TRABALHO EM UM HOSPITAL QUE TEM UM CENTRO GERIÁTRICO E PERCEBO QUE MUITOS IDOSOS PASSAM A ENTRAR EM DEPRESSÃO POR FALTA DAS VISTAS DAS FAMÍLIARES, POIS ESTAS QUANDO DEIXAM O IDOSO NO CENTRO DEIXAM DE REALIZAR AS VISITAS.
    ÀS VEZES VÃO VISITAR PARA BUSCAR ALGUM DINHEIRO( QUE É MUITO POUCO).
    ISSO DEIXAR O IDOSO MUITO TRISTE E DEPRIMIDO.
    ESTOU TENTANDO CONVERSAR COM AS FAMÍLIAS E ESTOU PEDINDO QUE PARTICIPEM MAIS DESTA INTEGRAÇÃO.
    ESTOU PREPARANDO UM ARTIGO E UM PALESTRA NO CENTRO GERIÁTRICO PARA TENTAR RESGATAR A IMPORTÂNCIA DA VISITA DA FAMÍLIA PARA O IDOSO.

  5. João Marchant Fritzenvaldwel comenta:

    14 Junho, 2008 @ 14:57

    Olá, tenho uma avó de 95 anos de idade, ela mora comigo, sempre foi lúcida, divertida, conversadora, mas agora aparentemente passa por um momento difícil, ela parece estar “cansada” de viver, e ela demonstra isso, chegou a me dizer uma vez, ela é uma pessoas q tem tudo que precisa, tanto material como sentimental, possui netos que dão muita atenção a ela e a respeitam, toma diversos remédios,e tem dormido muito tempo, não gosta de levantar da cama pois está “frio”, não quer mais comer tambêm e não sei o que fazer mais com ela, não entendo o que se passa, ela parece sempre distante, não entendo os motivos.
    Vocês poderiam me dizer o que acham que é? ou me dar conselhos sobre o que fazer?
    Aguardo âncioso resposta!
    Muito obrigado!

RSS Feed for comments on this post · TrackBack URI

Deixe seu comentário aqui !