Revisão
Colaborador : Roberto Motta Júnior
* Biologo – Especialista em Saúde e Medicina Geriátrica – Metrocamp
O envelhecimento é um dos maiores enigmas da vida e, ninguém consegue compreendê-lo totalmente. Muitos, em toda a história humana, têm feito as mesmas perguntas sobre o fenômeno: O que é envelhecimento? Por que as pessoas envelhecem? Por que em algumas pessoas determinados órgãos envelhecem mais rapidamente que outros? Podemos retardar, parar ou reverter o envelhecimento?
Como a definição de envelhecimento é polêmica, tornam-se até incoerentes propostas de teorias sobre o envelhecimento antes de se chegar a uma definição consensual. Porém, elas existem. Com os avanços da ciência e da tecnologia, nas últimas décadas surgiram várias teorias sobre o envelhecimento, sendo três as principais; a teoria dos radicais livres *, a teoria do desequilíbrio gradual ** e a genética.
Os pesquisadores que apóiam a teoria genética propõem que todo o processo de
envelhecimento, quer seja de células, órgãos e mesmo de todo o indivíduo, desde o
nascimento até a morte, é programado pelos nossos genes. Nessa teoria, o tempo de vida, assim como os outros acontecimentos como, por exemplo, alterações enzimáticas, ligados a esse relógio biológico, podem ser controlados por um ou mais genes específicos contribuindo, de maneira ativa, independente, ou em associação com outros genes, para a longevidade do organismo.

Uma das mais conhecidas formulações para essa teoria foi feita por Leonard Hayflick,
em 1977. O chamado limite de Hayflick, que afirma que as células irão se dividir e se
reproduzir apenas um número limitado de vezes e que esse número é geneticamente
programado.
As células humanas, eucarióticas, têm cromossomos lineares. Há dificuldades para a
replicação das duas extremidades. Embora a fita contínua possa, teoricamente, ser sintetizada até o final de seu molde, a fita retrógrada não pode. Embora isso não seja um problema em uma única replicação, ao longo de muitos ciclos as extremidades dos cromossomos seriam encurtadas, até que genes essenciais fossem perdidos e a célula morreria. Conseqüentemente, a natureza procura impedir a perda contínua do DNA nas extremidades dos cromossomos. Nesse local existem, então, estruturas protetoras especiais, chamadas de telômeros, que contem muitas repetições de uma seqüência de seis nucleotídeos, rica em GUANINA. Os telômeros humanos contem milhares de repetições TTAGGG. O tamanho dos telômeros é mantido por enzimas, chamadas de telomerases, que adicionam repetições de seis nucleotídeos sua extremidade.
Segundo esta teoria, a enzima telomerase é considerada um relógio biológico, um marcador a indicar que a senescência celular irá se instalar inevitavelmente, causando o envelhecimento.
A telomerase é uma enzima classificada como transcriptase reversa, composta de uma subunidade de uma proteína que possui um componente interno de RNA que é uma região molde para a produção de DNA. Esta subunidade é identificada por TERT, está na região do C- terminal do polipeptídeo, também na região N-terminal, basicamente na região dos telômeros.
O gene de produção da telomerase e o gene conhecido por p 53 devem participar de um sistema eficiente de supressão de tumores, mas em contrapartida, com a diminuição da ação da telomerase, os cromossomos se encurtam na região dos telômeros e, inevitavelmente, por causa da manutenção de um tecido jovem, que necessita de divisões celulares contínuas, surge o envelhecimento, a senescência. Quando a telomerase está atuante, permite a alta capacidade de divisões celulares por mitoses sucessivas, o que seria uma proteção contra a senescência. O envelhecimento seria o preço de uma vida sem câncer.
A importância da telomerase como mecanismo reparador anti-envelhecimento celular
pode ser constatada em várias doenças, como na progeria. Nesta doença rara, em torno de 100 casos no mundo, ocorre um envelhecimento prematuro em jovens nos quais seus cromossomos apresentam seus telômeros curtos, causando uma senescência nos indivíduos, por aumento na velocidade nas divisões celulares desencadeadas pela ação de um gene recessivo, que impede a função da telomerase, mais uma explicação para essa doença baseada na teoria dos telômeros.
A enzima telomerase é considerada um relógio biológico, um marcador a indicar que a senescência celular irá se instalar inevitavelmente. Existem células que não apresentam senescência, em que a divisão celular se mantém com alto potencial de multiplicação, imunes ação do tempo. São as células germinativas, que estão relacionadas com a perpetuação da vida, as células cancerígenas, que são motivos de estudos para se encontrar a cura definitiva do câncer, e as células tronco, que atualmente são aplicadas aos transplantes para promover regeneração e possível tratamento de doenças que afetam a humanidade.
* Teoria dos radicais livres. Esta teoria baseia-se no conceito de que as reações químicas que ocorrem naturalmente no corpo começam a produzir um número de defeitos irreversíveis nas moléculas. Isto se deve a elétrons não pareado na última camada das moléculas formados por compostos contendo por exemplo, o elemento oxigênio, chamados de radicais livres.
** Teoria do desequilíbrio gradual. Esta teoria afirma que o cérebro, as glândulas endócrinas ou o sistema imunológico começam a deixar de funcionar gradualmente, levando a determinados órgãos envelhecer em ritmos diferentes comprometendo o funcionamento dos demais, causando o envelhecimento de todo o organismo.
*** Apoptose, processo que se inicia no núcleo da célula, na cromatina onde se encontram os cromossomos aderidos a carioteca, começa uma retração do citoplasma agregando o corpos apoptóticos, que serão englobados por fagocitose, pelas células vizinhas ou macrófagos,todo material da célula é rompido, os ácidos nucléicos não comandam as atividades celulares, formam crateras na membrana plasmática, por onde ocorre a perda de água, a célula se desestrutura, formam corpos apoptóticos que serão eliminados por clasmocitose, ocorre a morte celular.
Referências:
Stryer, L. Biochemistry. Ed. W H Freeman and Co. 4th ed. 1064p. 1995.
Suzuki, D. T. et al. Introdução genética. Ed. Guanabara koogan. 6 ed. 856p. 1998
Telomerase: The Imortalizing Enzime: Update on Geron Corporation. [on line]
A GÉNETICA DA IMORTALIDADE, ( Nature Cell Biology, published on line, doi;10.1038/ncb846 (2002), EMBO J. August, 2002 [on line]
MOTA Jr, R – Papel da telomerase na senescência celular- Monografia de conclusão de curso de pós-graduação sensu latu – Saúde e Medicina Geriátrica. METROCAMP 2006.