Arquivo de dezembro, 2006





31 - dez

Dermatite de contato nos idosos

Categoria(s): Dermatologia geriátrica, Emergências

Resenha

A dermatite de contato também é conhecida como eczema de contato, é uma doença da pele (dermatose) causada por agentes que, em contato com a pele sadia, desencadeiam uma reação inflamatória. Sua manifestação clínica pode ser aguda (presença de dor, ardor, calor local, edema, eritema e vesículas), subaguda (exudação e crostas) ou crônica (liquenificação)

De acordo com a etiologia, a dermatite de contato é classificada em quatro subtipos:

1. Dermatite de contato fototóxica: ocorre quando uma substância, após a exposição ao raios solares (irradiação ultravioleta), tem sua estrutura química modificada, tornando-se irritante e ocasionando uma reação eczematosa, que ocorre sem a participação de mecanismos alérgicos. Exemplo – sumo do limão (furocoumarinas).

2. Dermatite de contato fotoalérgica: semelhante a dermatite fototóxica, porém, com a diferença é que a substância em contato com os raios solares adquire propriedades antigênicas e promovem reação imunológica. Exemplo uso de fenergam (anti-alérgico) via oral.

dermetite contato

3. Dermatite de contato por irritação primária: esta dermatite surge em conseqüência da exposição única ou repetida a agentes agressores, em cujo mecanismo de ação não participam eventos imunológicos. Produtos de calçados de plástico (veja a imagem), níquel das fivelas dos cintos, etc.

4. Dermatite de contato alérgica: corresponde a uma reação imunologia celular, na qual ocorre o aparecimento de sensibilização a uma substância que esteja em contato com a pele. Exemplos: desodorantes, pomadas, sabonetes, perfumes. Neste tipo de dermatite a pessoa usa um determinado produto por anos e, de repente, passa a sofrer “alergia” quando em com ele.

Em todos os tipos de dermatites o tratamento é afastar o produto, evitar o contato.

Os idosos apresentam um pele muito sensível e com pouca defesa, ocorrendo este tipo de alteração (dermatite de contato) com muita freqüência. Sempre que isto ocorrer, estude primeiramente todos os tipos de medicamentos que ele está fazendo uso. Não deixe de pensar que pode ser uma manifestação de um câncer, a chamada síndrome paraneoplásica.

Dicionário de termos:
Crosta – Casca que recobre a ferida
Edema – Inchaço
Eritema – Vermelhidão cutânea
Exudação – presença de líquido na região da lesão
Liquefinifação – Lesão com aspecto de liquem (fungo), semelhante a casca de árvore.

Referência:

Projeto Diretrizes – Diagnóstico e Tratamento do Eczema de Contato – AMB (Associação Médica Brasileira) e CFM (Conselho Federal de Medicina).

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30 - dez

Ataque de pânico

Categoria(s): Emergências, Psicologia geriátrica

Resenha

O ataque de pânico ocorre em 1,5% a 2% da população, acometendo 2 vezes mais as mulheres. Geralmente, inicia-se em torno dos 25 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. Os sintomas mais comuns são: dispnéia (falta de ar), sensação de sufocação ou de asfixia, vertigem, sensação de instabilidade ou de desmaio, palpitações, tremores, sudorese, náuseas ou desconforto abdominal, parestesias (formigamentos), ondas de calor ou de frio, dor ou desconforto precordial, medo de morrer e medo de enlouquecer.

O primeiro ataque é imprevisível e espontâneo. Duram menos de uma hora, atingindo o máximo de intensidade aos 10 minutos. Durante o ataque o paciente sente-se confuso, tem dificuldade de se concentrar, apresenta necessidade de abandonar o local que está, procurar ajuda, ir para outro local mais ventilado. O ataque pode ocorrer ou em locais fechados, ou sem movimentos, ou em locais amplos, ou com muito movimento.

Os ataques do pânico podem ocorrer com freqüência variadas. 50% dos pacientes se recuperam espontaneamente após longo período de infortúnio, mas certamente a qualidade de vida estará comprometida para sempre.

O tratamento envolve medidas de psicofarmacoterapia e psicoterapia. Certamente, a terapia familiar é a pedra fundamental do tratamento, devendo ser dirigida à educação e apoio da familia do paciente, que está sempre comprometida pelas dificuldades de conviver com uma pessoa com transtorno do pânico ainda não tratado.

Referência:

Nardi AE, Valença AM – Transtorno de Pânico: Diagnóstico e Tratamento. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan,2005.

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29 - dez

Estresse e o envelhecimento

Categoria(s): Biogeriatria, Medicina ortomolecular, Psicologia geriátrica

Editorial

O estresse está relacionado com o envelhecimento. Já observamos um envelhecimento em pessoas quando, por uma eventualidade, passou a ter de enfrentar a morte de um filho, ou mesmo ter ficado de cabelo branco por ter cuidado por um tempo de um parente hospitalizado.

Pesquisas na Universidade da Califórnia nos EUA demonstram essa relação entre o estresse e o envelhecimento e senescência. A pesquisa relaciona o estado psicológico sobre a longevidade das células. Pessoas com percepção mais elevada do próprio estresse acarretam uma resposta no organismo demonstrando um envelhecimento. A forma de pensar nos problemas contribui para o estresse.

A psicóloga Elissa Epel é uma das coordenadoras dos estudos em 58 mães na faixa etária 20 a 50 anos, 39 das quais seus filhos apresentavam altismo, paralisia cerebral e outras deficiências. As células do sistema imunológicos dessas mulheres tinham o principal indicador da senescência celular, uma seção na ponta do cromossomo constituída de DNA, os telômeros. Trata-se de uma espécie de tampa bioquímica que protege a integridade do material genético, que em divisões sucessivas tende a diminuir e atingir o nível crítico, chegando a célula ao estágio de envelhecimento.

O estresse encurta prematuramente os telômeros. A pesquisa mediu os níveis de telomerase e radicais livres nessas mães estressadas e os resultados foram níveis baixos de telomerase e níveis altos de radicais livres, substâncias que danificam os tecidos intensificando o envelhecimento.

Estudos na área da longevidade possibilitaram a criação de tratamentos para melhorar a qualidade de vida dos idosos.

Células da pele dos músculos e dos ossos, prejudicadas pelo envelhecimento e senescência, poderão ser revitalizadas. A telomerase tem esse importante papel, para encontrarmos uma resposta para diminuir a ação do tempo sobre o corpo humano. A chamada telomeroterapia. Porém, este tipo de terapia ainda necessita de muitos estudos, pois a aplicação desta enzima poderia ocasionar mutações no genoma ocasionando cânceres.

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28 - dez

Genética do envelhecimento – Telomerase

Categoria(s): Biogeriatria, Cardiogeriatria

Revisão

Colaborador : Roberto Motta Júnior

* Biologo – Especialista em Saúde e Medicina Geriátrica – Metrocamp

O envelhecimento é um dos maiores enigmas da vida e, ninguém consegue compreendê-lo totalmente. Muitos, em toda a história humana, têm feito as mesmas perguntas sobre o fenômeno: O que é envelhecimento? Por que as pessoas envelhecem? Por que em algumas pessoas determinados órgãos envelhecem mais rapidamente que outros? Podemos retardar, parar ou reverter o envelhecimento?

Como a definição de envelhecimento é polêmica, tornam-se até incoerentes propostas de teorias sobre o envelhecimento antes de se chegar a uma definição consensual. Porém, elas existem. Com os avanços da ciência e da tecnologia, nas últimas décadas surgiram várias teorias sobre o envelhecimento, sendo três as principais; a teoria dos radicais livres *, a teoria do desequilíbrio gradual ** e a genética.

Os pesquisadores que apóiam a teoria genética propõem que todo o processo de envelhecimento, quer seja de células, órgãos e mesmo de todo o indivíduo, desde o
nascimento até a morte, é programado pelos nossos genes. Nessa teoria, o tempo de vida, assim como os outros acontecimentos como, por exemplo, alterações enzimáticas, ligados a esse relógio biológico, podem ser controlados por um ou mais genes específicos contribuindo, de maneira ativa, independente, ou em associação com outros genes, para a longevidade do organismo.

Telomerase

Uma das mais conhecidas formulações para essa teoria foi feita por Leonard Hayflick, em 1977. O chamado limite de Hayflick, que afirma que as células irão se dividir e se reproduzir apenas um número limitado de vezes e que esse número é geneticamente programado.

As células humanas, eucarióticas, têm cromossomos lineares. Há dificuldades para a replicação das duas extremidades. Embora a fita contínua possa, teoricamente, ser sintetizada até o final de seu molde, a fita retrógrada não pode. Embora isso não seja um problema em uma única replicação, ao longo de muitos ciclos as extremidades dos cromossomos seriam encurtadas, até que genes essenciais fossem perdidos e a célula morreria. Conseqüentemente, a natureza procura impedir a perda contínua do DNA nas extremidades dos cromossomos. Nesse local existem, então, estruturas protetoras especiais, chamadas de telômeros, que contem muitas repetições de uma seqüência de seis nucleotídeos, rica em GUANINA. Os telômeros humanos contem milhares de repetições TTAGGG. O tamanho dos telômeros é mantido por enzimas, chamadas de telomerases, que adicionam repetições de seis nucleotídeos à sua extremidade.

Segundo esta teoria, a enzima telomerase é considerada um relógio biológico, um marcador a indicar que a senescência celular irá se instalar inevitavelmente, causando o envelhecimento.

A telomerase é uma enzima classificada como transcriptase reversa, composta de uma subunidade de uma proteína que possui um componente interno de RNA que é uma região molde para a produção de DNA. Esta subunidade é identificada por TERT, está na região do C- terminal do polipeptídeo, também na região N-terminal, basicamente na região dos telômeros.

O gene de produção da telomerase e o gene conhecido por p 53 devem participar de um sistema eficiente de supressão de tumores, mas em contrapartida, com a diminuição da ação da telomerase, os cromossomos se encurtam na região dos telômeros e, inevitavelmente, por causa da manutenção de um tecido jovem, que necessita de divisões celulares contínuas, surge o envelhecimento, a senescência. Quando a telomerase está atuante, permite a alta capacidade de divisões celulares por mitoses sucessivas, o que seria uma proteção contra a senescência. O envelhecimento seria o preço de uma vida sem câncer.

A importância da telomerase como mecanismo reparador anti-envelhecimento celular pode ser constatada em várias doenças, como na progeria. Nesta doença rara, em torno de 100 casos no mundo, ocorre um envelhecimento prematuro em jovens nos quais seus cromossomos apresentam seus telômeros curtos, causando uma senescência nos indivíduos, por aumento na velocidade nas divisões celulares desencadeadas pela ação de um gene recessivo, que impede a função da telomerase, mais uma explicação para essa doença baseada na teoria dos telômeros.

A enzima telomerase é considerada um relógio biológico, um marcador a indicar que a senescência celular irá se instalar inevitavelmente. Existem células que não apresentam senescência, em que a divisão celular se mantém com alto potencial de multiplicação, imunes à ação do tempo. São as células germinativas, que estão relacionadas com a perpetuação da vida, as células cancerígenas, que são motivos de estudos para se encontrar a cura definitiva do câncer, e as células tronco, que atualmente são aplicadas aos transplantes para promover regeneração e possível tratamento de doenças que afetam a humanidade.

* Teoria dos radicais livres. Esta teoria baseia-se no conceito de que as reações químicas que ocorrem naturalmente no corpo começam a produzir um número de defeitos irreversíveis nas moléculas. Isto se deve a elétrons não pareado na última camada das moléculas formados por compostos contendo por exemplo, o elemento oxigênio, chamados de radicais livres.

** Teoria do desequilíbrio gradual. Esta teoria afirma que o cérebro, as glândulas endócrinas ou o sistema imunológico começam a deixar de funcionar gradualmente, levando a determinados órgãos envelhecer em ritmos diferentes comprometendo o funcionamento dos demais, causando o envelhecimento de todo o organismo.

*** Apoptose, processo que se inicia no núcleo da célula, na cromatina onde se encontram os cromossomos aderidos a carioteca, começa uma retração do citoplasma agregando o corpos apoptóticos, que serão englobados por fagocitose, pelas células vizinhas ou macrófagos,todo material da célula é rompido, os ácidos nucléicos não comandam as atividades celulares, formam crateras na membrana plasmática, por onde ocorre a perda de água, a célula se desestrutura, formam corpos apoptóticos que serão eliminados por clasmocitose, ocorre a morte celular.

Referências:

Stryer, L. Biochemistry. Ed. W H Freeman and Co. 4th ed. 1064p. 1995.

Suzuki, D. T. et al. Introdução à genética. Ed. Guanabara koogan. 6 ed. 856p. 1998

Telomerase: The Imortalizing Enzime: Update on Geron Corporation. [on line]

A GÉNETICA DA IMORTALIDADE, ( Nature Cell Biology, published on line, doi;10.1038/ncb846 (2002), EMBO J. August, 2002 [on line]

MOTA Jr, R – Papel da telomerase na senescência celular- Monografia de conclusão de curso de pós-graduação sensu latu – Saúde e Medicina Geriátrica. METROCAMP 2006.

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27 - dez

Parâmetros de qualidade de vida

Categoria(s): Demografia, DNT, Gerontologia, Sociologia

Conceitos

O objetivo principal da intervenção médica em pacientes com doenças crônicas é maximizar sua função em suas atividades diárias obtendo o melhor nível de bem-estar físico, psicológico ou social. Se este objetivo for alcançado, haverá redução nos custos. Para estas razões, o estado funcional e o bem-estar saudável são de grande valor para o paciente, sendo essencial avaliar a qualidade da freqüência médica com os parâmetros clínicos e laboratoriais específico para cada doença. A mensuração da qualidade de vida é um parâmetro para o prognostico do paciente, além de ajuda-lo no planejamento de suas despesas em geral.

Os instrumentos genéricos que mensuram a qualidade de vida têm várias vantagens, porque eles contemplam o que é mais importante para o paciente que “o paciente pensa” e não um paciente que o doutor acha que ele pensa. Nós podemos obter informações adicionais e mais amplas sobre a saúde do paciente: O qual o impacto da doença na vida diária? Como o paciente se sente físico e emocionalmente? O que pode fazer ele? E quais são suas vulnerabilidades e forças?

Um dos instrumentos mais aceitos e utilizados para a avaliação da qualidade de vida é o questionário SF-36.

A criação deste instrumento foi baseada em uma revisão de vários instrumentos existente na literatura, nos últimos 20 anos que avaliou alterações e limitações em várias dimensões como capacidade funcional, aspectos sociais, saúde mental e percepção geral da saúde. O questionário SF-36, foi derivado de um questionário de avaliação de saúde formado por 149 artigos, desenvolvido e testado em mais de 22 000 pacientes, como parte de um estudo de avaliação de saúde.

Com o intuito de formular um questionário não tão extenso, foi elaborado um questionário de 18 artigos que avaliaram capacidade funcional inicialmente limitação devido à doença, saúde mental e percepção da saúde. Mais tarde, foram somados dois artigos a este questionário para avaliação dos aspectos sociais e dor, então, foi criado o SF-20 (Forma 20 Pequena). O SF-20 foi respondido por aproximadamente 11000 participantes dos estudos de avaliação de saúde. Estes resultados permitiram a análise de seu psicométricas medido e também o desenvolvimento de normas preliminares para descobrir diferenças no estado funcional e de bem-estar entre os pacientes com doenças crônicas e alterações psiquiátricas.

Pelos autores, a dificuldade maior no desenvolvimento do SF-36 foi para a seleção de oito conceitos de saúde, entre mais de 40 conceitos analisados pelos estudos de avaliação de saúde. Alguns conceitos foram considerados importantes, porém não foram escolhidos, como por exemplo, função sexual.

O SF-36 foi constituído para satisfazer o padrão psicométrico, para comparação entre grupos que envolvem conceitos genéricos de saúde não sendo específico para uma determinada idade, doença ou tratamento. Ele representa definições múltiplas da saúde, inclusive função e deficiência orgânica, desconforto e bem-estar, relatórios objetivos e reclamações subjetivas, de solenidade-avaliação favorável e desfavorável da condição de saúde.

Referência:

CICONELLI, R.M.; FERRAZ, M.B.; SANTOS, W.; MEINÃO, I.; QUARESMA, M.R. Tradução para a língua portuguesa e validação do questionário genérico de avaliação de qualidade de vida SF-36 (Brasil SF-36). Rev Bras Reumatol, 39(3):143-150, 1999.

WARE Jr, J.E. Sf-36 health survey update. Spine, 25 (24):3130-3139, 2000.

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