Arquivo de Novembro, 2006

10
Nov

 Síndrome da aposentadoria

Categoria(s): Gerontologia

Editorial

Será que estamos preparados para aposentar?

Se quisermos gozar uma vida plena na velhice, precisamos abrir mão, décadas antes, de nossa ingênua devoção ao trabalho e dinheiro. Precisamos investir em outras coisas além disso. Alerta Manfred de Vries, professor de desenvolvimento de lideranças no Insead, em Fontainebleau, França.

O filme Confissões de Schmidt, interpretado por Jack Nicholson, ilustra bem esta situação, onde um bem sucedido executivo norte-americano da área de seguros, fica totalmente perdido ao se aposentar. Ele não entende por que precisa ser substituído, principalmente por alguém que não respeita.

O caderno - Envelhecimento Ativo: Um projeto de política de saúde, da Organização Mundial de Saúde, divulgado no “Encontro mundial sobre o envelhecimento”, em Madri – Espanha, 2002, chama atenção para os vários aspectos da aposentadoria e de como ela interfere no envelhecimento saudável.

Hoje o trabalhador brasileiro se aposenta após atingir o tempo de contribuição para o INSS - Instituto Nacional do Seguro Social (35 anos para os homens e 30 anos para as mulheres), não havendo idade mínima. Como o brasileiro começa a trabalhar cedo, também se aposenta cedo. Em 1999 criou-se o polêmico” fator previdenciário” , alvo de modificações em projetos no Congresso. Ele funciona como um redutor (0,5% ao mês) do total do benefício a receber, com base na expectativa de vida do trabalhador. Ele foi aplicado por 5 anos, de forma que, em novembro de 2004, seus efeitos se tornaram plenos, reduzindo os benfícios em pelo menos 30%.

Quanto mais cedo se aposenta, menor é o benefício do trabalhador. Porém, mesmo assim, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o brasileiro aposenta, em média, com 57 anos nos casos dos homens e 52 anos das mulheres.

A outra forma de aposentadoria é por idade. Hoje, para se aposentar por idade, é preciso ter 65 anos, no caso dos homens, e 60 anos, no caso das mulheres, independente do tempo de contribuição para o INSS.

Anualmente, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga novas expectativas de vida para os brasileiros, e sobre este valor que o INSS calcula o fator previdenciário.

Hoje, um homem que se aposenta com 56 anos, e que poderá viver mais 20,2 anos, terá seus benefícios (valor que recebe de aposentadoria) reduzidos em aproximadamente 10%.

Qual a idade mínima para se aposentar?

Esta será a grande questão de debate de toda a sociedade no ano 2007.

Referência:

Envelhecimento Ativo – OMS,2002

Veja a legislação e as formas de aposentadoria no link abaixo.
http://www.mpas.gov.br/pg_secundarias/beneficios.asp

Veja Também:
Síndrome da alça curta
Síndrome de Hutchinson-Gilford
Síndrome de Wiedemann-Rautenstrauch
Síndrome de Caplan
Síndrome de má absorção
Síndrome hepatorrenal

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09
Nov

 Câncer de mama e TRH

Categoria(s): Endocrinogeriatria, Ginecogeriatria, Oncogeriatria, Programa de saúde

Resenha

O câncer de mama é a neoplasia mais comum da mulher brasileira. Segundo o Ministério da Saúde, em 2003, ocorreram cerca de 41.600 novos casos, sendo os estados de São Paulo, Distrito Federal e Porto Alegre os que apresentaram as maiores taxas de incidência.

Este tipo de câncer vem aumentando significativamente nos últimos 20 anos, acentuando-se a partir de 1990, com um aumento de 69% nas taxas de mortalidade (5,77 em 1979 para 9,75 por 100.000 mulheres em 1999).

Muitos tipos de câncer pode ser previnido ou tratado eficazmente se são diagnósticado precocemente. Por ano há 49.750 casos novos de câncer de mama, que resultam em 7.500 mortes. Há um leve crescimento no aumento da mortalidade, incremento significativo da oferta de serviços hospitalares, diagnóstico da doença em estágio avançado. Na outra ponta, apenas 43% das mulheres têm acesso regular a tomografias, 39% das equipes do PSF (Programa de Saúde da Família) não dispõem de equipamentos ginecoobstétricos e 34,4% das mulheres com mais de 40 anos jamais foram submetidas a exames clínicos da mama.

A terapia de reposição hormonal poderia estar contribuindo para o aumento da incidência de câncer de mama?

Pouco se conhece dos efeitos dos esteróides sexuais sobre as diferentes estruturas tissulares que constituem a glândula mamária.

Não se comprovou que os estrogênios, os progestagênios, ou ambos, são os responsáveis pela proliferação anaplásica das células ductais. O uso de terapia de reposição hormonal (TRH) com estrogênios conjugados, na dose de 0,625 mg diários, sugerem que não há risco discernível de Ca de mama com uso contínuo por 10 anos e, aumento não significativo com uso contínuo por 15 anos. Em mulheres tratadas desde a pré-menopausa, por mais de 15 anos, o risco aumenta em dobro do observado em não usuárias de TRH.

Estes dados mostram que o risco de câncer de mama existe mas, é pouco significativo, sobre tudo quando se faz um controle preventivo eficaz, ou seja, a educação e alerta para as mulheres é a melhor prevenção, e independente do grande número de mulheres brasileiras no climatério (período que entre 45 e 64 anos), mais de 13,5 milhões segundo o CENSO de 2000, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Referência:

Ministério da Saúde. Câncer no Brasil - Dados dos Registros de Base Populacional; 2003. Disponível em: URL: http://inca.gov.br/regpop/2003/comentarios.asp?ID=13.

Climatério - Manual de Orientação - FEBRASCO 1995

Veja Também:
Poemas da Silvia Trevisani - Diário de um Bebê
Câncer de mama e a genética
Estudo de caso - Hipercalcemia
Câncer - Marcadores tumorais
Menopausa - Riscos da terapia de reposição hormonal
Câncer do colo do útero e o teste de Papanicolaou

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08
Nov

 Desidratação nos idosos - Perigo do verão

Categoria(s): Cardiogeriatria, Nefrogeriatria

Comentando o assunto
A água corresponde a cerca de dois terços do peso corpóreo, sendo que apenas 8% do total se encontram na corrente sanguínea. No entanto, apesar de ser um volume relativamente pequeno, é muito importante mantê-lo constate para o bom funcionamento do corpo.

O verão de 2003 na Europa foi uma grande lição para todos. Lá, mais de 35 mil pessoas morreram por causa do calor. Com a chegada do verão é preciso ficar atento aos idosos. A desidratação (freqüente neste período) é a perda excessiva de água do organismo, provocando também a perda de sais minerais e orgânicos. O calor faz com que o corpo crie mecanismos de troca térmica entre a pele e o ar, mas a partir de uma certa temperatura (em torno dos 25º) o corpo começa a transpirar e, conseqüentemente, a perder mais água. A falta de ventilação, a alta umidade relativa do ar e o vestuário inadequado são algumas das causas que podem levar a transpiração.

A desidratação é uma doença grave, principalmente para os idosos. Por isso, é preciso saber reconhecer os sintomas mais comuns como sede intensa, reduzida eliminação de líquidos pelas vias urinárias, boca e lábios secos, pulsação rápida e olhos secos e “encovados”.

Para manter esse equilíbrio, os indivíduos saudáveis com função renal normal e que não transpirem muito, devem ingerir pelo mesmo um litro de líquido por dia. O ideal é que se ingira de um litro e meio a dois litros por dia para evitar a desidratação e também contra a formação de cálculos renais.

A desidratação acontece quando a eliminação de água do corpo é maior que a sua ingestão. O vômito, a diarréia, o uso de diuréticos, o calor excessivo, a febre e a redução da ingestão de água por qualquer razão podem acarretar na desidratação. Doenças como o diabetes e as enterocolites também podem levar a desidratação devido grande perda de líquido.

Ao tornar-se grave, a desidratação pode causar confusão mental podendo evoluir ao coma, já que as células do cérebro estão entre as mais propensas desidratação. A pressão arterial pode cair, causando tontura ou sensação de perda iminente da consciência, podendo provocar choque e lesões graves em órgãos internos como rins, fígados e cérebro.

O tratamento da desidratação leve pode ser feito através da simples ingestão de água natural. Bebidas isotônicas, formuladas para repor sais minerais, podem ser tomadas para evitar a desidratação ou tratá-la. Em casos de queda de pressão arterial levando ao choque, é comum a administração intravenosa de soluções que contém cloreto de sódio. É importante tratar as causas da desidratação, além da reposição de líquido.

Referência:

Manual Merck Saúde para a família - Seção 12 - Distúrbios da Nutrição e do Metabolismo, Capítulo 136 - Equilíbrio Hídrico.

Veja Também:
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07
Nov

 Longevidade - Fatores bioquímicos

Categoria(s): Biogeriatria, Gerontologia

Resenha

O tempo de vida do ser humano tem aumentado dramaticamente desde a revolução industrial. Porém, a maioria dos ganhos foi o resultado de mortalidade de infância decrescente. O período de vida de máximo, geralmente determinado ser aproximadamente 125 anos para mulheres e um pouco mais curto para homens, mudou pouco em história registrada, embora alguns peritos sugerem que pode estar aumentando lentamente.

longevidade sofre influência de inúmeros fatores, porém, heranças genéticas que protegem contra doenças de cardiovasculares e degenerativas têm papel de destaque.

O tratamento médico contribui a sobrevivência aumentada depois que doenças são contraídas, especialmente as curáveis como as doenças infecciosas e certos tipos de câncer.

Outra influência importante em longevidade é estilo de vida; evitar o cigarro, manter um peso saudável e dieta, e os exercícios físicos adequados ajudam a evitar doenças.

Exposição toxinas ambientais pode encurtar período de vida até mesmo entre pessoas com a genética mais robusta.

Exatamente o que controla a taxa de envelhecer é desconhecido. Poderia ser um gene que controla telomerase que encurta ou algum outro processo de divisão celular. Ou poderia ser controle genético de outro processo celular não envolvido em divisão, como conserto de DNA, resultando assim em apoptoses.

Telomerase é uma enzima que repara os telômeros, parte finais dos cromossomos que se perdem a cada divisão celular.

Apoptose ou morte celular programada, caracteriza-se, biologicamente, por fragmentação cromossomial do DNA, associado a uma série de anormalidades de expressão genética, descrita inicialmente por Kerr e col, em 1972 .

Estes eventos bioquímicos e moleculares são dependentes de energia e, ao contrário da morte celular acidental (ou necrose), ocorrem de forma programada. Apoptose, também, pode ser diferenciada de necrose por alterações típicas celulares, como redução de volume celular e condensação da cromatina nuclear, além de pequenas formações bolhosas na membrana celular.

Referências

Kerr JFR, Wyllie AH, Currie AR - Apoptosis: a basic biological phenomenon with wide-range implications in tissues kinetics. Br J Cancer 1972; 26: 239-57

Veja Também:
O estresse e o envelhecimento
Câncer de mama e a genética
Teorias sobre o envelhecimento - Papel da telomerase
Os futuros caminhos da Geriatria e da Gerontologia
Índice de desenvolvimento humano
Prevenção cardiovascular global

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06
Nov

 Higiene dos idosos

Categoria(s): Gerontologia, Sociologia

Ponto de vista

A higiene dos idosos é de extrema importância tanto para aumentar auto estima quanto para a saúde deles, principalmente na prevenção de doenças de pele e não pode ser considerada como vaidade e sim boa saúde que reflete na qualidade de vida.

Todos nós aprendemos a tomar banho sozinho e fazemos isso por quase nossa vida toda.

Quando ficam incapacitados ou impedidos, a tendência é que as pessoas idosas fiquem desconfortáveis e deprimidas e muitas vezes com vergonha e nem um pouco a vontade que uma filha ou a esposa dêem banho nela.

Para isso é necessário que se tenha um “cuidador”, um enfermeiro, para que possa fazer isso e contribuir para o bem estar do idoso. A vantagem de ser uma pessoa de fora da família é que além de “dar banho” ela pode examinar o idoso, massageá-lo, o que contribui, inclusive, para a melhora da circulação, da higiene e por conseqüência auto-estima.

Os principais cuidados com os idosos na hora do banho devem ser principalmente: com os ouvidos, secar corretamente para evitar que fique água e sabão; com os dentes, pois todo sistema digestivo depende de uma boa mastigação, e escovar a língua, que melhora a percepção do sabor. O cabelo também é fundamental. Não é necessário lavar todos os dias, mas a cada dois dias com xampu neutro para evitar feridas em virtude do ressecamento da pele.

Outra orientação ainda com respeito ao banho é que ele deve ser morno e usar sabonete neutro. Após o banho a recomendação que serve para todo mundo não é descartada para pele do idoso que é o uso de hidratantes e filtro solar para evitar feridas que são de difícil cicatrização.

Muitas vezes a ferida aparece na cabeça do idoso e a família acha que tem que lavar com água quente para cicatrizar. A água quente tira a oleosidade natural que protege a pele, resseca e contribui na formação de feridas.

As unhas também não podem ser esquecidas e devem ser cortadas, de preferência, por um manicuro ou um pedólogo para que a higiene do pé seja completa.

Veja Também:
Periodontite nos idosos
Índice de Kenny
Uso do cateter vesical em idosos
Cárie dentária nos idosos
Higiene no idoso dependente: O Banho
Índice de Barthel

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