Arquivo de Novembro, 2006

15
Nov

 Insônia nos idosos

Categoria(s): Neurogeriatria

Editorial

A insônia é o distúrbio de sono mais comum e talvez o mais freqüente queixa após a de dor. As queixas de insônia estão associadas com variantes demográficas incluindo idade (mais de 25% das pessoas com 65 anos ou mais relatam interrupção do sono principalmente os aposentados, inativos ou viúvos), sexo (é duas vezes mais comum em mulheres) e status ocupacional e socioeconômico.

Outro dado importante seria que 20% das pessoas que hoje têm insônia tomaram pílulas para dormir em alguma época do passado. O manejo da insônia, principalmente com relação a sua terapêutica, vem sofrendo modificações com o decorrer dos anos com a finalidade de priorizar aspectos preventivos em relação ao tratamento convencional evitando-se assim o uso abusivo de medicamentos, muitas vezes desnecessários.

O idoso precisa verificar se ele tem dificuldade para começar a dormir, que acontece em função da ansiedade, ou se ele acorda e não dorme mais, o que pode acontecer em função de depressão. A mais preocupante das fases da insônia é a chamada terminal, onde o idoso não consegue passar pelas cinco fases do sono.

Fases do sono - A primeira delas é a sonolência, onde o sono começa a ser aprofundado. Entre a segunda e a terceira fase ocorrem às alterações nas ondas cerebrais e o sono começa a ficar mais pesado. A quarta fase chamada de REM (rapid eye moviment), é onde acontecem os sonhos e o reordenamento da memória pelo cérebro.

Nos idosos é muito comum a interrupção entre as fases um e três, por isso acorda muito rápido ou quando dorme, fica quase em estado de vigília, ou seja, meio dormindo e meio acordado. O principal tratamento para estes casos começa na mudança de hábito. Comer pouco à noite e ter um ambiente tranqüilo já contribuem bastante.

Mas é necessário se fazer uma consulta médica para se saber a origem da insônia e se ela não é sintoma de alguma doença. A auto-medicação é totalmente perigosa nestes casos, pois se desconhece a causa. Ela pode ser tratada tanto com indutores de sono quanto com hipnóticos, que só médico poderá determinar.

Referências:

Duthie Jr Edmund H. Duthie Jr; Katz, Paul R. Geriatria Prática. Sono nos idosos. 3ª edição, Rio de Janeiro: Editora Revinter, 2002, pág.230-236.

Martinez, Denis (2006) Os cuidados com o sono.[on line]

Poyares, Dalva et.al.(2003). I Consenso Brasileiro de Insônia. [on line]

Veja Também:
Iatrogenia - Insônia causada por medicamentos
Insônia nos idosos - Centro cerebral do Sono
Fisiologia do sono do idoso
Insônia nos idosos - Tratamento farmacológico
Insônia nos idosos - melatonina
Insônia nos idosos - Ação dos hipnóticos

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14
Nov

 Viagens e a Trombose Venosa

Categoria(s): Cardiogeriatria, Emergências, Gerontologia, Programa de saúde

Resenha

Durante o período de férias é preciso tomar certos cuidados com a saúde, principalmente na hora da viagem, ainda mais se ela for longa. Uma das doenças mais comuns, que pode ter como causa a imobilidade prolongada de uma viagem longa, é a trombose venosa profunda.

Essa doença se caracteriza pela formação de coágulos no interior das veias e acontece quando há compressão por um longo período de tempo das veias dos membros inferiores (pernas e coxas) contra as bordas das poltronas. Isso dificulta a circulação do sangue e facilita a sua coagulação.

Os sintomas mais comuns são inchaço, vermelhidão e dor. No entanto, em 60% dos casos, são assintomáticos e ocorrem em apenas uma das pernas.

Os pacientes hospitalizados são os mais acometidos pela trombose, já que permanece muito tempo na mesma posição. Porém um número não desprezível de casos ocorre também em indivíduos não hospitalizados. Nestes casos, o paciente apresenta fatores de riscos que ajudam a causar a trombose, tais como uso de estrógenos (anticoncepcionais, terapias de reposição hormonal), idade acima de 40 anos, obesidade, desidratação, infarto recente, insuficiência cardíaca, histórico de trombose ou embolia pulmonar, câncer, entre outras.

A doença foi descrita pela primeira vez em Londres, durante a II Guerra Mundial, em pessoas que permaneciam sentadas por longos períodos de tempo em abrigos antiaéreos. Nos anos 50 foram registrados os primeiros episódios relacionados com viagens de avião e, na década de 70, com a popularização dos vôos internacionais, a doença passou a chamar a atenção notadamente pelos casos de embolia pulmonar que resultavam em mortes de passageiros, às vezes em pleno ar.

Nos anos 90 passou-se a utilizar a expressão síndrome da classe econômica, numa alusão à freqüência deste tipo de evento em passageiros submetidos a uma exigüidade de espaço que dificultava a mobilidade durante as viagens aéreas. A expressão é, contudo, imprecisa, uma vez que a ocorrência de doença tromboembólica não é uma exclusividade dos passageiros da classe econômica. Além disto, a doença ocorre também em viajantes que utilizam outros meios de transporte, como carros e trens.

Mas, ainda que não exista um estudo conclusivo, é inegável que algumas peculiaridades das viagens aéreas sugerem uma provável associação com doença tromboembólica, maior do que em outros meios de transporte, já que a freqüência das escalas durante uma viagem aérea, quando elas ocorrem, é ditada por motivos econômicos ou técnicos e, naturalmente, não obedece a um padrão regular. A disposição dos assentos, em múltiplas fileiras paralelas, inibe até eventuais idas ao toalete e, de resto, não é aconselhável, por motivos de segurança, que os passageiros fiquem andando durante o vôo, o que facilita a imobilidade prolongada. Além disto, o ambiente do interior das aeronaves é seco e com níveis baixos de pressão atmosférica e de oxigênio, que favorece a desidratação, um dos fatores de risco para a doença tromboembólica.

O risco de doença tromboembólica (trombose venosa profunda e embolia pulmonar) é relativamente pequeno, considerando o número total de pessoas que viajam. Contudo, em razão da possível ocorrência de embolia pulmonar, que pode resultar em morte durante ou logo após uma viagem, é importante que sejam observadas medidas preventivas.

Recomenda-se que ao viajar, procure usar roupas e calçados confortáveis, não colocar objetos embaixo das poltronas para não restringirem os movimentos, mudar sempre de posição na poltrona, não ficar imóvel, evitar cruzar as pernas, beber líquidos como água e suco, evitar o uso de soníferos e bebidas alcoólicas, usar um apoio para os pés, fazer exercícios com as penas (movimentos de extensão, rotação e flexão dos pés) e andar sempre que possível.

Além disso, o viajante deve procurar utilizar meios de transporte com características favoráveis, como, quando tiver a opção, escolher por uma companhia que tenha espaço disponível entre as poltronas e paradas regulares. Em uma viagem de automóvel, o número de passageiros e a bagagem devem estar de acordo com a capacidade do veículo, e, periodicamente, devem ser programadas paradas em locais seguros, para que os ocupantes possam se movimentar fora do carro.

Os viajantes com fatores individuais de risco devem reservar assentos no corredor ou próximo às saídas, para facilitar a realização de exercícios. E também devem procurar aconselhamento médico antes da viagem, uma vez que poderá estar indicado o uso de medidas adicionais, como meias elásticas ou medicamentos (ambos têm contra-indicações). Quando o fator de risco for temporário, como acontece nas primeiras seis semanas após o parto, deve-se considerar o adiamento da viagem.

A embolia pulmonar, que é o maior risco para quem sofre com a trombose. Ela acontece quando há desprendimento dos coágulos das veias, que sob a forma de êmbolos podem causar a obstrução de vasos arteriais dos pulmões. A embolia pulmonar produz falta de ar de início súbito, dor torácica, e nos casos mais graves, diminuição da pressão arterial e, por vezes, morte súbita.

Referência:

http://www.vascularweb.org

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Veja Também:
Riscos das viagens - Novas epidemias
Estudo de caso - Bronquite e viagem aérea
Combatendo a constipação
Vacinação nos idosos
Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 3
Tromboembolismo Venoso

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13
Nov

 Falta de apetite nos idosos

Categoria(s): Gastrogeriatria, Odontogeriatria, Saúde Geriátrica

Opinião

A falta de apetite do idoso está muito relacionada com mudanças fisiológicas decorrentes do envelhecimento, com a perda dos sentidos auditivo, olfativo e gustativo, e também pode estar relacionado com a situação econômica, familiar e social que se encontre o idoso. Tudo isso associado à má alimentação habitual do idoso pode trazer sérias conseqüências à sua saúde.

Geralmente o idoso deixa de comer certos alimentos por acreditar que eles podem fazer mal ou causar indigestão, quando na verdade está deixando de ingerir nutrientes fundamentais para prevenção de doenças e manutenção da saúde.

Os idosos tendem a perder peso a partir dos 70 anos, devido à progressiva perda de massa óssea e massa muscular. No entanto, o emagrecimento nesta fase da vida pode também estar relacionada a alterações metabólicas como ocorre na diabete sem controle, em doenças digestivas ou intestinais, na moléstia cancerosa, e também em problemas psicológicos.
Os dentes e a gengiva são importantes fatores para a boa ou má alimentação das pessoas. Dificuldades para mastigar devido à presença de cáries, doenças periodontais, próteses inadaptadas, falta de dentes e dentaduras defeituosas ou em precário estado de conservação ajudam a causar a falta de apetite. A refeição deve ser apresentada de forma atrativa e saborosa. Para isso, é importante que os sentidos olfativo e a visão estejam bem apurados. Assim é preciso prestar atenção se o idoso está enxergado direito, se está com o olfato apurado, se está com as papilas gustativas em bom estado. Recomenda-se, uma boa higiene bucal (escovar os dentes e a língua, procurar passar periodicamente um anti-séptico bucal e ir ao dentista com regularidade).

A convivência em família e o convívio social é muito importante para o idoso, pois vai estimular seu apetite, sua memória e afastar a sensação de solidão muito comum entre eles. Outra recomendação é que a alimentação seja variada, mas com moderação e balanceada. Para isso, recomenda-se procurar uma nutricionista para preparar um cardápio adequado para cada um, levando em conta o gosto do idoso e possíveis restrições em casos de diabéticos, por exemplo. A temperatura dos alimentos é muito importante. Eles não devem ser muito quentes nem muito frios, pois podem causar a perda da sensibilidade. O ideal é que o alimento seja servido morno, de preferência na temperatura do corpo (cerca de 37º à 39º) ou na temperatura ambiente para líquidos (água, suco, refrigerante).

Restaurantes por quilo são uma boa opção para os idosos, já que apresentam uma grande variedade de comida e geralmente bons preços.

Ao observar mudanças no habito alimentar do idoso, procure imediatamente um geriatra que indicará o que pode ser feito para melhor o seu apetite e eventualmente tratar o paciente, no caso de uma doença.

Veja Também:
Envelhecimento Ativo
Inapetência alimentar em idosos
Instituições asilares no Brasil
Respeito ao idoso - Repensando o papel do cuidador
Disfagia - Dificuldade de deglutir os alimentos
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12
Nov

 Estudantes da área da saúde e a morte

Categoria(s): Gerontologia, Tanatologia

Resenha

O despreparo dos profissionais das áreas da saúde em lidar com a morte tem como uma das causas, além dos aspectos cultural e espiritual pessoal, o ensino nos cursos que reforçam a formação técnico-científica dos futuros profissionais, propiciando pouco espaço para abordagem dos aspectos emocionais, espirituais e sociais do ser humano. Nesse sentido, muitas vezes a morte pode ser associada com derrota, perda, frustração, justamente o oposto da meta dos cursos da área de saúde.

Bernard Lown, em seu livro A arte perdida de curar, afirma “As escolas de medicina e o estágio nos hospitais preparam os futuros médicos para tornarem-se oficiais-maiores da ciência e gerentes de biotecnologias complexas. Muito pouco se ensina sobre a arte de ser médico. Os médicos aprendem pouquíssimo a lidar com a morte. A realidade mais fundamental é que houve uma revolução biotecnológica que possibilita o prolongamento interminável do morrer”.

Um artigo publicado em 1995, no Archives of internal Medicine, mostrou que apenas cinco de cento e vinte e seis escolas médicas norte-ameriacanas ofereciam ensinamentos sobre a terminalidade humana. E, apenas vinte e seis dos sete mil e quarenta e oito programas de residência médica tratavem do tema em reuniões científicas.

No ano de 2000, o médico e bioeticista da Universidade Estadual de Londrina, José Eduardo Siqueira, um dos pioneiros do ensino da Bioética nos cursos de Medicina no Brasil, fez uma reflexão sobre a assistência médica aos pacientes em fase terminal. Ele propôs um desafio especialmente para os hospitais universitários, para que, além da oferta da alta tecnologia, fosse criado um serviço de cuidados aos pacientes incuráveis em fase terminal, chamado de enfermaria de cuidados paliativos, no qual os formadores poderiam iniciar a transformação do conhecimento técnico científico aliado à humanização.

A proposta do Professor Siqueira é pertinente, pois, se por um lado existe a preocupação de que os acadêmicos tenham experiências de aprendizagem por meio de estágios nas diversas clínicas, nem sempre há intencionalidade durante os estágios para o cuidado com o paciente fora de possibilidade de cura.

A existência na instituição de ensino de um serviço que dê oportunidade à estas experiências abre possibilidades para que os alunos tenham interesse na alta tecnologia, como os equipamentos e terapêuticas de última geração. Ao mesmo tempo, os alunos teriam experiências com tecnologias mais simples, que envolvem atitudes tais como: compaixão, respeito, diálogo, comunicação, e com terapêuticas de baixo custo, como o controle da dor e sintomas, o que sintetiza a humanização do cuidado.

Com experiências como as descritas acima, o futuro profissional da área da saúde poderá desenvolver atenção aos pacientes hospitalizados ou não, que requerem cuidados paliativos, independentemente da especialidade em que estiverem atuando os profissionais.

Todos os ramos da área da saúde têm sido incansáveis no empenho de prolongar a vida de seus doentes, com sucesso extraordinário. A mesma atenção, contudo, não tem sido aplicada para diminuir ou amenizar a angústia e sofrimento de portadores de moléstias incuráveis.

Referência:

Rosa CAP. A morte e o ensino médico. Revista. Brasileira de Educação Médica. Rio de janeiro, V.23, n.23, p52-67, mai/dez.1999.

Carvalho, MVB.; Franco, ACR. Uma experiência de ensino sobre a relação paciente fora de possibilidades de cura/ enfermeira em nível de graduação. Prática Hospitalar, São Paulo, v.1, n.5, p.47-54, set./out. 1999.

Veja Também:
Apoptose
Efeito da morte do cônjuge
A mídia e a área da saúde
Ortotanásia - Terminalidade da vida
Transição epidemiológica
Depressão: Diagnóstico difícil?

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11
Nov

 Idosos no volante

Categoria(s): Gerontologia, Sociologia

Ponto de vista
Ao contrário do que muitos pensam, os idosos não representam uma ameaça no transito. Somente 6,2% dos condutores envolvidos em acidentes estão com idade acima dos 55 anos. Já 27,9% dos condutores que causam acidentes estão entre 25 a 34 anos e 24,8% entre 18 a 24 anos, de acordo com dados do DETRAM-SP.

O idoso pode e deve dirigir, desde que tenha condições físicas e mentais para isso. Essa restrição não é exclusiva dos idosos. Todos os condutores devem gozar de plena saúde física e mental para dirigir. Os reflexos, a visão, a audição e senso de perigo devem ser observados pelas pessoas próximas (familiares e amigos) e pelo médico do idoso.

Para o idoso, dirigir é manter sua autonomia e independência. Atualmente, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), há no país 4,5 milhões de motoristas habilitados com idade entre 56 e 99 anos, 12,85% do total de 35 milhões.

Embora o idoso seja mais prudente no trânsito, ele deve evitar trechos que não conheça e não domine, nunca deve correr para evitar acidentes. A perda de cognição (capacidade de decisão, de associar informações), a hipertensão e os problemas na visão, nas articulações e na musculatura podem fazer com que o idoso tenha de reduzir o uso do carro ou até deixar de dirigir. De acordo com dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), por exemplo, na pessoa com idade entre 70 e 80 anos a flexão no joelho é de 58%, quando nos mais jovens (de 20 a 35 anos), chega a 78%. Além disso, alguns remédios recomendados aos idosos podem prejudicar seus reflexos, aumentando o risco de acidentes. Por esses motivos, a partir dos 65 anos, segundo o Código Brasileiro de Trânsito, o motorista deve fazer o exame de saúde para renovar a carteira de habilitação a cada três anos - até essa idade, o prazo é de cinco anos.

Mesmo sendo mais cauteloso, a taxa de mortalidade entre idosos que sofrem acidentes é mais alta do que a de jovens, pelo fato de terem menos reservas de osso, sangue, por complicações na recuperação e doenças decorrentes.

Os idosos possuem um comportamento educado e quase sempre praticam a direção defensiva. Para eles, o grande problema em abrir mão da direção é o fato de não poderem mais contar com o carro como meio de transporte e assim passar a depender dos outros, até para uma das mais básicas das necessidades – a locomoção. O importante é o apoio da família e fazer com que o próprio idoso perceba o momento de parar.

Referência:

DENATRAN

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