Arquivo de Novembro, 2006

30
Nov

 Quedas nos idosos

Categoria(s): Gerontologia, Otogeriatria

Resenha

Aproximadamente 35% das pessoas com idade entre 75 e 85 anos sofrerão quedas no próximo ano, com graves conseqüências de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde.

As quedas podem ter duas causas distintas: a primeira delas chamada de queda da própria altura, que é a queda acidental, quando a pessoa tropeça num buraco, cai da escada, (por isso a importância da conservação e manutenção de vias públicas e residências) e também podem depender de uma série de circunstâncias, por exemplo, um tapete mal colocado e sem proteção anti-derrapante, animais correndo e fios soltos. A segunda é a chamada queda por baixa da pressão arterial. Toda vez que nos abaixamos, ocorre naturalmente uma queda na pressão que causa tontura que poderá resultar numa queda.

O frio também é outro fator que aumenta a incidência das quedas nos idosos. No inverno a sensibilidade ao frio, nos idosos, aumenta em virtude do mau funcionamento da glândula tireóide.

A osteoporose também é uma das causas mais comuns de quedas em idosos. As estatísticas mostram que, de cada duas mulheres, uma tem osteoporose, e dessas cerca de um terço morre em conseqüência de fraturas. “O que ocorre na verdade é que a pessoa fratura a perna, ou a bacia e cai e não cai e quebra a pernaâ€. Para evitar as quedas o conselho dos médicos é que os objetos, principalmente os mais pesados fiquem ao alcance dos idosos e todos de fácil acesso e evitar subir em cadeiras para pegar objetos no alto.

A queda de idosos pode ser considerada um “problema de saúde pública†por causa do alto custo do tratamento, pois muitas vezes a queda acarreta numa internação, pode levar a uma cirurgia, que pode se complicar devido a baixa resistência do idoso

Referência:

Diretriz do Conselho Federal de Medicina - Brasil

site Portal equilíbrio e queda nos idosos [on line]

Veja Também:
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Síndrome pós-queda nos idosos
Fragilidade nos idosos
Reabilitação pós-queda: papel da enfermagem.
Fraturas nos idosos - Causas e conseqüencias
Sarcopenia - Perda da massa muscular

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29
Nov

 O sexo na terceira idade - A sexualidade

Categoria(s): Gerontologia, Psicogeriatria

Ponto de vista

sexo na terceira idade ainda é, nos dias de hoje, tema de tabu e preconceito. Tudo isso porque antigamente não se podia discutir este assunto em família. As informações eram poucas e se tinha uma visão prejudicada do sexo.

O que acontece hoje é que boa parte dos idosos e, principalmente, das famílias ainda não aceita que se fale abertamente sobre o assunto. Uma herança religiosa e cultural, que tinha como principal aspecto a reprodução e preservação da espécie e não o prazer.

Uma das principais funções do sexo em qualquer idade é preservar a auto-estima do ser humano. “Aí nós temos que nos reportar para o erotismo. Do ponto de vista erótico, o sexo acontece primeiro no cérebro e depois no físico. O sexo em si tem um papel mecânico, físico e fisiológico. Para isso depende de hormônios, da capacidade física, circulatória e sem isso não é possível ter um bom sexoâ€.Na maior parte das pessoas o erotismo fica mascarado e reprimido e nos idosos ela acaba sendo levada a um segundo plano porque é confundida com algo pornográfico. Há uma linha muito tênue que separa as duas coisas. “Podemos ver erotismo numa poesia, num quadro, num filme. A pornografia é o extremo do erótico. Cerca de 70% do material que circula e se busca pela Internet é pornográfico, então é preciso saber administrar para que não se torne algo pejorativoâ€.

A importância do sexo na terceira idade depende de dois fatores: a “química†que existe entre duas pessoas e o “clima†criado. Para isso tem que haver erotismo.
O que acontece na terceira idade é que os idosos perdem “o climaâ€. Ou porque há muita gente dentro de casa, ou por terem vergonha de freqüentar motéis e muitas vezes por falta de dinheiro.

No consultório do geriatra o assunto é bastante comentado e discutido com os pacientes, pois várias doenças crônicas adquiridas na terceira idade também influenciam nesta ausência de sexo.

sexualidadeAs principais reclamações tanto dos homens quanto das mulheres são que o parceiro pára de procurar, que estão com falta de vontade, impotência e até por não querer incomodar o parceiro por ele estar doente.

No caso de doenças crônicas, o sexo ajuda na melhora principalmente da auto-estima, pois ela não se sente mais rejeitada e sim protegida. Não é porque envelheceu, porque teve uma doença grave ou uma cicatriz de uma cirurgia que ele deve deixar de ter uma vida sexual ativa. Ela é necessária no processo de curaâ€.

Outro ponto importante do sexo na terceira idade é no caso de viúvos(as), que até então tinham uma vida sexual ativa e perderam o parceiro. Neste caso é necessário que haja primeiro uma reação psicológica para depois ocorrer a fisiológica. Em primeiro lugar, segundo ele, é necessário fugir dos preconceitos, em seguida procurar as maneiras corretas de prevenção de doenças e continuar normalmente com a sua vida sexual, mesmo que não seja na mesma intensidade de antes.

Cuidados

Com o passar do tempo e a mudança no comportamento sexual, os idosos também ficaram mais vulneráveis a doenças sexualmente transmissíveis e a AIDS. Por isso é necessário que consultas aos ginecologistas e urologistas sejam feitas constantemente.

A AIDS também é um outro problema enfrentado pela terceira idade, em muitos casos ela é transmitida através do contato, pois é o idoso quem cuida do parente aidético. Foram criados até mesmo programas de prevenção e informação devido ao alto número de idosos que são portadores do vírus.

Veja Também:
Acrocianose
Fatores de risco para a mortalidade em idosos
Insônia nos idosos
Diabetes Mellitus - Prevalência no Brasil
Osteoporose - Fraturas nos homens idosos
Memória do Idoso - Parte 3. Papel da Terapia Ocupacional

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28
Nov

 Incontinência fecal - o uso dos laxantes

Categoria(s): Gastrogeriatria, Gerontologia

fecal

Resenha

A incontinência fecal é uma das áreas mais “abandonadas†da medicina, somente nos últimos 10 anos este “tabu†para os pacientes e médicos está desaparecendo e começa a ser falado abertamente.

Apesar de aproximadamente 2% dos idosos sofrerem com esta condição, agora que a medicina passou a compreender melhor a sua fisiologia, graças aos avanços da tecnologia de imagens.

Existem muitos fatores que contribuem para a perda involuntária das fezes, incluindo a integridade dos músculos do esfíncter anal, a força de contração do intestino, a consistência das fezes e fatores psicológicos.

Geralmente, a incontinência fecal é resultante da degeneração do delicado músculo liso do esfíncter anal, que o mantém fechado. Tanto pode ser uma complicação da terapia cirúrgica da fístula anal, como, no caso das mulheres decorrentes do parto vaginal.

O diagnóstico é feito através da história clínica, exame físico geral, exame da região anal e eventualmente ultra-sonografia anal. Porém, somente um terço do diagnóstico da lesão músculo liso do esfíncter anal é feito pela ultra-sonografia anal, e o exame clínico geralmente não revela o dano.

Os indivíduos com lesões anais ou medulares, prolapso retal (protrusão do revestimento do reto através do ânus), demência, lesão neurológica causada pelo diabetes, tumores do ânus podem desenvolver uma incontinência fecal persistente.

Deverá, também, ser considerada a alteração sensitiva da mucosa retal que ocorre no processo de envelhecimento no idoso e/ou pelo uso prolongado e abusivo de laxativos que provocam a degeneração neural da mucosa retal. Ambos causam a perda de sensibilidade para a presença de fezes na ampola retal, não havendo a contração dos músculos da continência voluntária, ou seja, o esfíncter anal externo, os elevadores do ânus e o puborretal.

No tratamento, cada um dos fatores tem que ser corrigido de forma objetiva e satisfatória.

Referência:

Quilici FA, Reis Neto JA Atlas de Proctologia. São Paulo, Lemos 2000.

Veja Também:
Incontinência Anal nos idosos - Parte 2. Avaliação diagnóstica
Síndrome de má absorção
Incontinência Anal nos idosos - Parte 3. Tratamento
Incontinência Anal nos idosos - Parte 1. Conceitos e fisiopatologia
Fisiologia da Defecação
Incontinência urinária no idoso

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27
Nov

 Gota úrica - Aspectos gerais

Categoria(s): DNT, Reumatogeriatria

Resenha

Gota é uma doença articular inflamatória causada pelo depósito do monourato de sódio no tecido articular e periarticular.

As características clínicas da artrite gotosa foram reconhecidas por Hipócrates. Galeno foi quem primeiro descreveu o tofo gotoso. Celsus reconheceu que a gota era doença característica dos poderosos. Garrod foi quem primeiramente incluiu a gota como doença relacionada a erro do metabolismo. Em 1797, Wollaston identificou urato como o grande constituinte de um tofo. Mc Carty e Hollander descreveram a presença de cristais de monourato de sódio do fluido sinovial em pacientes com crise aguda de gota.

O ataque agudo de gota se caracteriza por ser mono ou oligoarticular, de aparecimento súbito, com preferência das articulações do hálux (podagra), demais pododáctilos, as tarsometatarsianas, tíbio-társicas, joelhos, punhos, mãos e cotovelos. A dor é de forte intensidade, obrigando o paciente a evitar contatos com qualquer objeto (o simples contato com o lençol gera dor insuportável). A duração da crise varia de horas a poucos dias, sendo na maioria das vezes curta. Tem seu pico de acometimento na quarta década de vida.

Entre uma crise e outra, o paciente pode apresentar o chamado período intercrítico, em que ele permanece por meses ou até anos absolutamente assintomático sob o ponto de vista clínico. Quando mais efetivo for o tratamento inicial da crise aguda, melhor será o prognóstico em relação a futuras crises.

Após o diagnóstico de artrite aguda decorrente da gota, o principal objetivo do tratamento é aliviar a dor e suprimir a inflamação. No paciente é muito importante realizar uma revisão cuidadosa dos outros problemas clínicos e da condição fisiológica do paciente antes do início de algum tratamento medicamentoso para a condição inflamatória aguda.

Dada a elevada prevalência de doenças crônicas concorrentes, inclusive insuficiência renal, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca congestiva e úlcera péptica, é importante tem em mente que a gota não representa uma condição ameaçadora à vida do paciente.

Em nosso caso o uso crônico dos diuréticos tiazídicos pode contribuir para a elevação do ácido úrico e precipitar a gota.

Os antiinflamatórios não hormonais (AINE) reduzem a inflamação e a dor na artrite relativa a gota, porém antes de usa-los certifique que a função renal está normal.
A colchicina tem sido usada com sucesso há mais de 100 anos no tratamento da artrite aguda relacionada a gota, porém deve ser utilizada em pequenas doses, pois é freqüente os sintomas de desconforto gastrintestinais.

O tratamento da hiperuricemia deve ser adiado até que a crise seja suprimida e completamente resolvida por várias semanas.

Referência:

Fellet, AJ - Gota : Elementos básicos de diagnóstico. Temas de Reumatologia Clínica. Dez 2000 vol.1; n.4.

www.haniweb.co.kr/images/gout-2.jpg.

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Veja Também:
Estudo de caso - Hiperuricemia assintomática
Esporão do calcâneo - Dúvidas e respostas: parte 2
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26
Nov

 Envelhecimento Ativo

Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde

Editorial

As melhorias das condições de vida dos idosos, proporcionando um envelhecimento ativo, evidenciando principalmente a ação tem sido um dos principais temas discutidos em congressos de gerontologia nacionais e internacionais.

O objetivo é permitir que os idosos continuem envelhecendo trabalhando com a sociedade. “O ideal é que eles não fiquem ociosos e saibam o quanto é importante o papel social que possuemâ€.

Dados de uma pesquisa realizada no Japão revelaram que as pessoas com falta de contato social tinham uma vez e meia chances de morrer nos três anos seguintes do que as que possuíam apoio social.

Entre os apoios sociais necessários para as boas condições de vida, enumera os principais:

Moradia segura: para evitar acidentes domésticos. E também a boa conservação de calçadas e vias públicas que é uma responsabilidade do poder público, que tem uma negligência histórica em cima disso.

Fatores psicológicos: falta de motivação, falta de socialização e falta de confiança.
Fatores sociais: solidão e isolamento.
Fatores comportamentais: Abuso de álcool e medicamentos.
Violência e abuso contra o idoso: Não adianta ter um Estatuto do Idoso, um código de defesa se ele mesmo não consegue se defender das injustiças sociais.
Exclusão: falta de educação e alfabetização.

Os principais fatores que determinam o envelhecimento ativo são: renda, trabalho e proteção social (que na opinião do médico não existe, pois se o idoso precisa de um atendimento médico, procura um posto de saúde, chega lá e não recebe atendimento, onde fica a proteção social que ele tem direito?).

Entre os principais desafios que deverão tornar prático este envelhecimento ativo está: transporte gratuito e de qualidade, criação de uma imagem mais positiva dos idosos e redução da injustiça social.

Referência:

Envelhecimento Ativo – OMS,2002

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